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terça-feira, 25 de outubro de 2016

Resenha: Leonard Cohen – You Want It Darker


Octogenário cantor tem novo disco colocado na praça

Leonard Cohen é um grande personagem da música mundial, sendo reconhecido pela poesia de suas ótimas letras. Ao descobrir que estava sendo roubado pela empresária, que desviou mais de US$ 5 milhões (pouco mais de R$ 15 milhões em valores atuais) de seu fundo de aposentadoria, Cohen se viu forçado a retomar a carreira que estava praticamente no fim – ele lançou o primeiro disco aos 33 anos em 1967. Desse retorno vieram os maravilhosos Old Ideas (2012) e Popular Problems (2014). You Want It Darker é o 14º disco de estúdio, lançado oficialmente na última sexta-feira (21).

A abertura com a faixa título é uma mistura entre o soturno e o gospel, algo comum nas canções de Cohen ao longo dos anos. A letra é cheia de referências a momentos importantes do judaísmo. Por isso, quando ele disse recentemente que estava pronto para morrer, essa canção diz muito sobre essa declaração. Os arranjos e os vocais de apoio ajudam a dar essa impressão. "Treaty" traz mais dessas referências, mas embalado por uma melodia mais suave e muito bonita.

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"On the Level" é muito interessante ao tratar do momento em que o cantor entregou-se ao zen-budismo nos anos 1990. O verso When I turned my back on the devil/ Turned my back on the angel, too é uma bela sacada em meio a uma letra em que o perdão e entrega são os principais temas não só dessa canção em especial. Mas também a espaço para resignação, como sem "Leaving the Table". Podemos ouvir um Cohen com melhor entendimento sobre a vida e que nem sempre precisa lutar em todas as batalhas – sair da mesa parece ser uma boa opção para alguém da idade dele.

Também há espaço para o romantismo na balada "If I Didn't Have Your Love". Ele elenca várias coisas que não teriam sentido sem o amor da vida dele. E como isso vem de Cohen, acaba ganhando um lado poético e um arranjo bonito e simples o suficiente para ouvir essa canção por várias horas a fio. O instrumento de corda bouzouki abre a bonita "Traveling Light" – a melodia soa muito como algo retirado da música tradicional grega. A poesia está presente mais uma vez em uma história de tom pessoal do cantor.

A delicadeza do violino fazendo a ponte entre os versos embala a misteriosa "It Seemed The Better Way". Especula-se que é sobre o tempo em que viveu no templo zen-budista e recebeu alguns ensinamentos, hoje questionáveis em sua cabeça - principalmente depois das alegações que seu mestre abusou de discípulas. A religião entra mais uma vez na roda na também cheia de referências "Steer Your Way" e "String Reprise / Treaty" é uma faixa quase toda instrumental, a não ser pelo verso I wish there was a treaty we could sign/ It's over now, the water and the wine/ We were broken then but now we're borderline/ And I wish there was a treaty, I wish there was a treaty between your love and mine, presente na segunda canção do álbum.

Leonard Cohen entregou um disco brilhante mais uma vez. A capacidade dele em conseguir traduzir certos assuntos e angústias é dessas coisas que só um gênio conseguiria fazer. Tomara que ele seja o próximo músico a levar o Nobel de Literatura, porque ele merece.

Tracklist:

1 - "You Want It Darker"
2 - "Treaty"
3 - "On the Level"
4 - "Leaving the Table"
5 - "If I Didn't Have Your Love"
6 - "Traveling Light"
7 - "It Seemed The Better Way"
8 - "Steer Your Way"
9 - "String Reprise / Treaty"

Nota: 5/5



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