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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Resenha: Norah Jones – Day Breaks


Cantora retornou ao jazz em novo registro

A carreira de Norah Jones é muito interessante do ponto de vista artístico. Ela apareceu usando o jazz como base, depois foi para o blues e incluiu o country sem abandonar o que havia feito anteriormente. E se no álbum passado ela foi em uma direção completamente oposta quando foi produzida por Danger Mouse, Day Breaks marca o retorno dessa talentosa pianista ao jazz. É o sexto trabalho em estúdio, o primeiro produzido exclusivamente por ela.

"Burn" abre o álbum com uma certeza: Jones escolheu um caminho mais refinado, vou colocar assim, neste novo trabalho. Porque a primeira faixa beira o AOR (Album-oriented radio, em inglês) quando se presta atenção nos arranjos e nas poucas palavras ditas, deixando o ouvinte relaxado o suficiente para prestar atenção na melodia e no uso da cada instrumento. "Tragedy" traz o lado mais pop, mas os arranjos não negam a influência do jazz.

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O andamento de "Flipside" acompanha a pesada letra sobre liberdade em um relacionamento – o toque gospel é muito bom e está na medida certa. Ninguém acharia absurdo se "It's a Wonderful Time for Love" e "And Then There Was You" tivessem sido gravadas em algum ponto dos anos 1950, pois parecem ter sido retiradas de lá. Duas belas faixas, complementadas pelo cover de "Don't Be Denied", gravada por Neil Young no disco Time Fades Away. Norah Jones consegue colocar algo muito próprio e transforma a faixa em algo dela – nem dá para lembrar que já foi gravada antes.

"Day Breaks" mantém o ritmo suave em uma bela participação do trompetista, porém tudo retoma o ritmo em "Peace" cover do pianista, referência e criador do hard bop Horace Silver. Essa tem mais cara de interpretação, talvez em respeito pela figura que Silver representa ao jazz, e está mais próxima do original. "Once I Had a Laugh" e "Sleeping Wild" soam gravações recuperadas dos anos 1940, e o disco termina com a boa "Carry On" e o cover para "Fleurette Africaine (African Flower)", do grande Duke Ellington.

Norah Jones gravou um disco muito bonito, cheio de belas melodias e letras interessantes. Day Breaks aponta um caminho para o futuro. Se a cantora estava focada em gravar com a guitarra e fazer barulho, agora ela opta pela delicadeza e sutileza. Aos 37 anos e com quase 15 de carreira de sucesso, ela já pode fazer o que bem entende – e se já fazia antes, nada a impedirá agora.

Tracklist:

1 - "Burn"
2 - "Tragedy"
3 - "Flipside"
4 - "It's a Wonderful Time for Love"
5 - "And Then There Was You"
6 - "Don't Be Denied" (Neil Young cover)
7 - "Day Breaks"
8 - "Peace" (Horace Silver cover)
9 - "Once I Had a Laugh"
10 - "Sleeping Wild"
11 - "Carry On"
12 - "Fleurette Africaine (African Flower)" (Duke Ellington cover)

Nota: 4/5



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