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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Resenha: Sabotage – Sabotage


Disco póstumo tem parte do material deixado pelo rapper

Sabotage morreu na manhã de 24 de janeiro de 2003 aos 29 anos. Um talento do rap nacional que foi brutalmente assassinado ao receber quatro tiros nas costas. Ele nunca escondeu o passado de assaltante e traficante de drogas, mas conseguiu sair desse mundo ao descobrir o talento na música. As rimas serviram para contar as histórias do passado e apontar um futuro interessante a ele. O primeiro disco cheio, Rap É Compromisso! (1999), virou um dos grandes registros do rap nacional. Tudo isso só serviu para aumentar ainda mais a lenda.

Mais de uma década depois, antigos companheiros resolveram pendências e se juntaram para disponibilizar o segundo trabalho do cantor. Lançado recentemente nos serviços de streaming, o álbum começa com a ótima "Mosquito". É possível ouvir como Sabotage conseguia unir samplers dos mais diversos tipos em uma colagem que poucos conseguiriam fazer. A seguinte é "Superar", momento em que o rapper mostra uma enorme facilidade em cantar sobre a vida que tinha e o que acontecia ao seu redor.

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"Canão Foi Tão Bom" fala do tempo em que ele morou na favela do Canão. As muitas participações especiais ajudam muito a complementar a canção, mas os vocais de apoio são de arrepiar. Se "País da Fome: Homens Animais" aposta em uma leveza na melodia para expor certos aspectos da sociedade, "Maloca É Maré" traz muito do que Marcelo D2 vem fazendo recentemente – usar o rap como base em uma mistura de ritmos dentro da mesma faixa. Essas três são fundamentais para entender o passado e o que Sabotage queria no futuro.

A sequência "Respeito É Lei", "Quem Viver Verá" e "Levada Segura" são três ótimas canções que trazem a realidade aos ouvidos, enquanto contam o que acontece na realidade de quem mora na favela. A bonita o "O Gatilho" traz a batida unida ao violão para dar uma melodia muito suave, mas a letra dá vários recados e explica várias coisas em cada uma das estrofes até retornar ao refrão (Com paciência você consegue vencer/ Como consequência se pode submeter). "Sai da Frente" é muito profunda e é difícil fazer qualquer comentário, então recomendo ouvi-la do início ao fim. E o disco fecha com "Míssel".

É possível encontrar várias referências aqui. Partindo da mais óbvia, o Wu-Tang Clan, tem samba, soul, funk e outras tantas. Imagino a dificuldade em colar tudo isso sem machucar o trabalho, por isso o resultado é dos melhores quando se termina de ouvir. As participações abrilhantam e homenageiam um dos grandes nomes do rap nacional, mostrando como Sabotage ainda é importante para disseminar um determinado tipo de mensagem aos novos e aos velhos. Esse registro é histórico por vários motivos, porém o principal deles é saber que ele estava se encaminhando para virar um gigante ainda em vida. Não deu tempo, mas ele só ficou ainda maior.

Tracklist:

1 - "Mosquito"
2 - "Superar"
3 - "Canão Foi Tão Bom"
4 - "País da Fome: Homens Animais"
5 - "Maloca É Maré"
6 - "Respeito É Lei"
7 - "Quem Viver Verá"
8 - "Levada Segura"
9 - "O Gatilho"
10 - "Sai da Frente"
11 - "Míssel"

Nota: 4,5/5



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