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quarta-feira, 1 de junho de 2016

Resenha: Anohni – Hopelessness


Cantora lança seu primeiro disco solo

Hopelessness é o primeiro disco de Anohni, anteriormente conhecido como Antony Hegarty, do Antony and the Johnsons. Anohni foi o nome escolhido quando Hegarty mostrou ao mundo o que era por dentro: uma mulher. Ela é a segunda mulher transgênero a ser indicada ao Oscar – a primeira foi Angela Morley pela trilhas de O Pequeno Príncipe (1974) e O Sapatinho e a Rosa: a História de Cinderella (1976).

Abrir um disco com uma faixa falando de terrorismo é para poucas, mas Anohi conseguiu. "Drone Bomb Me" tem uma melancolia e uma profundidade ao usar a história de uma menina de nove anos que perdeu a família em um ataque de drones dos Estados Unidos. No fim, a garota só quer ter o mesmo destino para não ficar sozinha.

A seguinte, "4 Degrees", fala sobre o aquecimento global, mas não é tão impactante, nem tão boa quanto a primeira, já "Watch Me" trata de como o governo atua ao vigiar as pessoas. Ao usar a si próprio como exemplo, e usando uma batida extremamente simples do ponto de vista criativo, a cantora coloca na mesa todo absurdo que envolve isso. Outra paulada no sistema americano está em "Execution", em que ela fala abertamente que a pena de morte é uma espécie de 'sonho americano'. Outra faixa em que a simplicidade da batida não está no mesmo nível da letra.

Depois de muito esperar, finalmente uma letra com algo mais complexo acompanhando na boa "I Don't Love You Anymore". A canção tem muito de uma ambient music mais moderna que, aliada com uma letra poética, tem uma força incrível graças ao conjunto da obra, e outra complexa é "Obama", uma crítica feita nas entrelinhas aos oito anos de governo do Democrata. Aqui, fala-se sobre Edward Snowden, o aumento da espionagem por parte da NSA e o aumento considerável dos ataques de drones em zonas de conflito.

"Violent Men" não deveria passar despercebida, mas há o risco – a batida não ajuda mais uma vez. Difícil é não ouvir e esquecer "Why Did You Separate Me from the Earth?", outra letra profunda e com uma melancolia embutida que é difícil não refletir, principalmente quando, no caso a cantora, questiona sua própria existência na Terra.

Simplórias e até utópicas, "Crisis", "Hopelessness" e "Marrow" pedem união do mundo para combater o terrorismo, mostram o desgosto com a humanidade de maneira geral e pedem mudanças no comportamento das pessoas que moram no mundo.

Ao longo da audição, as letras encantam mais do que as batidas e melodias escolhidas, por isso o disco é bom, mas poderia ser muito melhor. Falta algo para dar conta da complexidade e profundidade das palavras.

Tracklist:

1 - "Drone Bomb Me"
2 - "4 Degrees"
3 - "Watch Me"
4 - "Execution"
5 - "I Don't Love You Anymore"
6 - "Obama"
7 - "Violent Men"
8 - "Why Did You Separate Me from the Earth?"
9 - "Crisis"
10 - "Hopelessness"
11 - "Marrow"

Nota: 3/5



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