No YouTube

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Resenha: The Chemical Brothers – Born in the Echoes


É muito difícil que alguém com quase 30 anos não ter passado incólume pelo momento da música eletrônica nos anos 1990 – uns mais, outros menos. Era difícil se desviar disso, e até mesmo quem não gostava muito sabia de uma novidade ali, uma música nova acolá. Eu, por exemplo, conhecia pouca gente que gostava, mas eles eram fieis e sempre mostravam o que estava ouvindo.

Foi ouvindo bastante que me encantei com o Chemical Brothers, Moby, Daft Punk, Prodigy e Fatboy Slim, todos os nomes da geração surgida entre o final dos anos 1980 e início da década seguinte. Hoje, todos são nomes consagrados no gênero e ultrapassaram barreiras, virando referências para a geração (não tão boa assim) logo na sequência. Por isso, quando o duo inglês Tom Rowlands e Ed Simons anunciou Born in the Echoes, não tem muito jeito de não criar uma expectativa, até um pouco de ansiedade, para ouvi-los com suas novidades.

Ao ouvir "Sometimes I Feel So Deserted", a sensação é de retornar aos anos 1990, exatamente como o Daft Punk e o Prodigy fizeram em seus trabalhos mais recentes. A batida insistente e o crescimento da melodia com menos de dois minutos de música até chegar ao momento dançante, fazem o ouvinte entrar no clima sem perder tempo para esperar o ápice na segunda metade. Esse é o grande mérito da carreira do Chemical Brothers: nunca deixar o público esperando. Muito da música eletrônica saiu da dance music e do R&B, e essa mistura está mostrada em "Go", em que o rapper Q-Tip dá show.

A batida de "Under Neon Lights" funciona muito bem, só lamento o vocal de St. Vincent não estar tão inspirado – talvez a quantidade de efeitos tenha atrapalhado – como em outros bons momentos dela em disco –, e o mesmo acontece com Ali Love em "EML Ritual", outra em que a batida é muito boa e deve agradar àqueles que não se importam muito com vocal nesse tipo de música. Outro convidado que aparece é o renomado poeta canadense Bill Bissett na psicodélica sessentista "I'll See You There" por lembrar muito “Tomorrow Never Knows”, clássico dos Beatles, com toques eletrônicos.

Não estranhe se você pensar que está em algum ensaio de escola de samba futurista quando ouvir "Just Bang", típica canção com vocal modificado feito para raves ou alguma coisa do tipo, mas boa sem vocalista mesmo é "Reflexion", quase uma homenagem ao trabalho do próprio Chemical Brothers ao longo dos últimos 25, 30 anos de carreira.

De verdade, gostaria de saber muito quem teve a ideia do conceito de "Taste of Honey", de longe a mais sem graça de todo álbum e quebra todo ritmo, e parece que isso acaba acontecendo nessa parte final de quatro músicas. "Born in the Echoes" não empolga e "Radiate" é apenas mediana. E "Wide Open" consegue se salvar para dar um final digno.

Se a primeira parte é muito boa e empolga bastante, apesar de um defeito aqui e ali, a segunda é ruim para mediana por ser cheia de altos e baixos. Por esse motivo, acaba sendo um disco apenas um pouco melhor do que regular, mas há de salientar: há canções muito boas aqui, uma pena que o final não seja tão inspirado.

Tracklist:

1 - "Sometimes I Feel So Deserted"
2 - "Go"
3 - "Under Neon Lights"
4 - "EML Ritual"
5 - "I'll See You There"
6 - "Just Bang"
7 - "Reflexion"
8 - "Taste of Honey"
9 - "Born in the Echoes"
10 - "Radiate"
11 - "Wide Open"

Nota: 3/5


Veja também:
Resenha: Anika Moa – Queen at the Table
Resenha: Tearjerker – Stay Wild
Resenha: Wand – Golem
Resenha: Wilco – Star Wars
Resenha: Walt Weiskopf – Open Road
Resenha: Terakaft – Alone
Resenha: Tame Impala – Currents