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segunda-feira, 27 de julho de 2015

Resenha: Wand – Golem


De Los Angeles, o Wand segue os ensinamentos da terra da psicodelia ao soltar Golem, seu segundo disco de estúdio. Apoiado em reverbs, efeitos e muita improvisação, a banda ainda está fora do circuito comercial comum dos festivais, mas esse novo trabalho tem tudo para mudar isso. E sabem o motivo? Porque o Wand não soa falso, não soa velho. Eles soam... Wand.

Os efeitos dominam a faixa de abertura, "The Unexplored Map", soando uma mistura do estilo do Tame Impala com heavy metal. A mão pesada nas guitarras transformam a curta canção em algo grandioso, que é amplificado na animada "Self Hypnosis in 3 Days" – quase dançante, a banda aproveita para brincar ainda mais com barulhos e improvisações. Ainda há um breve momento de delicadeza para iniciar a segunda metade, mas acaba rapidamente quando entra um andamento bem mais pesado.

Dando a sensação de uma imensa música, "Reaper Invert" emenda com as duas primeiras. Ainda que ela seja mais lenta e um pouco mais leve, apesar do reverb ao fundo o tempo inteiro, é outra canção muito boa para quem gosta dessa mistura de estilos. A balada "Melted Rope" soa, definitivamente, uma reciclagem do Tame Impala. Não deixa de ser uma pena, pois o ritmo do álbum quebrou e deu uma desanimada, e o mesmo acontece no início de "Cave In", quinta faixa. Surpreendentemente, a virada acontece e ela ganha guitarras em volume alto o suficiente para deixar muita gente surda.

Por ser mais curta do que cinco das nove canções, "Flesh Tour" ganha contornos de improviso, principalmente na segunda metade, e é bem estruturada – apesar de ser um tanto estranha, confesso. A melhor do disco aparece perto do final. E "Floating Head" é um resumo de todo trabalho, momento usado para aliar tudo (peso nas guitarras, improviso, efeitos,). Uma ótima música de uma ótima banda.

Quase lembrando a guitarra de Tony Iommi nos melhores momentos dele no Black Sabbath, o instrumento é o charme de "Planet Golem" e sua melodia absurdamente heavy metal em mais de seis minutos e meio de puro improviso instrumental. Nona e última, para arrematar mesmo, "The Drift" traz a sensação de fazer parte de algum episódio de Doctor Who ou algo de gênero.

Pode não ser a banda psicodélica que vá conquistar corações pelo mundo nesta semana, nem neste mês, nem neste ano. Mas eles têm potencial, sem dúvida alguma. E merecem mais espaço. Com esse ótimo disco, espero que eles consigam isso logo.

Tracklist:

1 - "The Unexplored Map"
2 - "Self Hypnosis in 3 Days"
3 - "Reaper Invert"
4 - "Melted Rope"
5 - "Cave In"
6 - "Flesh Tour"
7 - "Floating Head"
8 - "Planet Golem"
9 - "The Drift"

Nota: 3,5/5


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