No YouTube

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Resenha: Tame Impala – Currents


O hype em cima do Tame Impala aumentou muito nos últimos anos, principalmente pelo tipo de som que a banda faz: um tipo de psicodelia dos anos 1960 e 1970 com toques modernos – os hipsters amam. Isso a parte, é interessante ver como Kevin Parker, principal nome do grupo, vem trabalhando as melodias e letras nos últimos singles. Currents é o terceiro disco, então está mais do que na hora de fincar o pé como um dos principais nomes da música atual.

É difícil se acostumar com o ritmo de "Let It Happen", canção que abre o disco. Tanto é, que só fui conseguir aproveitá-la de fato na terceira audição, momento em que consegui apreciar melhor os elementos, as idas e vindas na melodia, o reverb, o efeito na voz... Enfim, um single com a cara e assinatura do Tame Impala. E isso logo de cara traz um alívio ao ouvinte que não gosta de surpresas – ter uma faixa assim é um convite a continuar a audição. Cheia de efeitos, "Nangs" é curta e acaba servindo de abertura para a animada "The Moment".

"Yes I'm Changing" é uma bela poesia musicada e dá um toque todo especial ao disco, principalmente ao tocar em um tema cotidiano: a mudança e os efeitos disso em nossas vidas. E "Eventually" bate na tecla do fim de uma paixão, outro caso que nove entre cada dez pessoas passaram. Desde o trato da melodia até o uso das palavras, é uma das melhores canções do grupo.

A instrumental "Gossip" – menos de um minuto – funciona como interlúdio de "The Less I Know the Better", essa menos eletrônica e mais cheia de guitarras, e dá para pegar um pouco da influência de Prince nesta canção, mas o lado psicodélico retorna em "Past Life" com direito a todos os efeitos possíveis. Outra curta, "Disciples" antecede a melhor de todo álbum: "'Cause I'm a Man", por conseguir englobar o melhor do grupo, é mais uma das melhores já lançadas pelo Tame Impala.

Se "Reality in Motion" e "Love/Paranoia" são comuns ao soarem como muitas das outras coisas já lançadas por eles nos últimos tempos, "New Person, Same Old Mistakes" fecha o disco mostrando o lado mais sensível e romântico deles ao final de pouco mais de 50 minutos de audição.

De cara, Currents não é tão bom como os dois primeiros discos, mas ainda é bom no sentido de o Tame Impala conseguir mostrar um pouco mais do que efeitos e psicodelia. Tem um pouco de soul, de R&B, de disco – para ficar só nesses. Eles mantêm certo esquema nas composições e vão colocando pequenas coisas dessas influências, ajudando a não assustar o ouvinte. No fim, merece muito sua audição porque vale a pena.

Tracklist:

1 - "Let It Happen"
2 - "Nangs"
3 - "The Moment"
4 - "Yes I'm Changing"
5 - "Eventually"
6 - "Gossip"
7 - "The Less I Know the Better"
8 - "Past Life"
9 - "Disciples"
10 - "'Cause I'm a Man"
11 - "Reality in Motion"
12 - "Love/Paranoia"
13 - "New Person, Same Old Mistakes"

Nota: 3,5/5


Veja também:
Resenha: Neil Young – The Monsanto Years
Resenha: Buffy Sainte-Marie – Power In The Blood
Resenha: Tom Collier - Alone In The Studio
Resenha: Bryan Bowman - Like Minds
Resenha: Millencolin – True Brew
Resenha: Graham Parker and The Rumour – Mystery Glue
Resenha: FFS [Franz Ferdinand e Sparks] – FFS