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sexta-feira, 17 de abril de 2015

Resenha: Prodigy – The Day Is My Enemy


Desde 2009 que não se tinha muitas notícias sobre o Prodigy, banda de música eletrônica que fez muito sucesso nos anos 1990. Sinceramente, até pensei que eles haviam encerrado a carreira ou demorariam mais para lançar um novo disco de inéditas. Para minha surpresa, um single apareceu em janeiro e junto veio um anúncio de um álbum, chamado The Day Is My Enemy, o sexto trabalho do conjunto.

Além do retorno com algo inédito, o registro também marcou o envolvimento de Maxim e Keith Flint no processo de composição, algo que ainda não havia acontecido. De cara, o nome é uma homenagem a uma canção de Cole Porter chamada "All Through the Night", que tem o verso "the day is my enemy, the night my friend" (o dia é meu inimigo, a noite é minha amiga, em tradução literal).

Com peso incrível, quase um heavy metal eletrônico, "The Day Is My Enemy" abre os trabalhos de maneira espantosa por aliar força e velocidade em uma canção muito poderosa e impactante logo de cara. Começar assim estimula muito o ouvinte a querer prosseguir com a audição porque é muito boa. O legal aqui é ver Porter creditado como coautor da música, algo pouco comum de acontecer.

E a boa impressão continua em "Nasty", segunda faixa. Caso ela tivesse sido lançada nos anos 1990, não seria nada surpreendente, pois traz muito daquela segunda geração de DJs que chegaram ao mainstream por aliar o passado, basicamente o que foi feito nos anos 1970 e 1980, com a modernidade exigida pela época. Diante de tanta porcaria, até emociona ouvir “Rebel Radio", música eletrônica de verdade e feita por gente que não está apenas para apertar meia dúzia de botões e colocar um pendrive.

Quase um punk eletrônico, "Ibiza" é veloz e feita para quem realmente deseja ouvir um eletrônico de qualidade, enquanto "Destroy" é feita para pular, se divertir e é outra que poderia muito tem ter sido lançada em algum momento dos anos 1990 que todos teriam achado genial. O refrão grudento dá o tom em "Wild Frontier" e sua batida extremamente pesada.

O ritmo não diminui em "Rok-Weiler", principalmente na batida, mas o tom épico de "Beyond the Death" é muito bom por criar um clima completamente diferente – lembrando filmes de terror dos anos 1960 – e ainda mais por ser instrumental, então o foco do ouvinte está todo na melodia e no que ela traz. Na próxima, "Rhythm Bomb", a participação de Flux Pavilion deixou a canção com cara para tocar em grandes festivais de música eletrônica.

Agora, com cara mesmo de anos 1990 é "Roadblox". A batida acelerada lembra muito alguns hits da década mais proveitosa para música eletrônica no quesito reconhecimento de que faziam um bom trabalho. O Prodigy como banda aparece mais em "Get Your Fight On", faixa em que guitarra, baixo e bateria trabalham em conjunto com o ritmo rápido e sem delongas.

Se toda banda deve ter uma canção um pouco mais pop eu não sei, porém "Medicine" é essa neste disco. Com um ar um tanto mais leve em consideração ao resto, terá bastante chance de fazer sucesso nas rádios como futuro single, bem diferente de "Invisible Sun", a mais fraca de todo álbum. Sendo assim, fica com "Wall of Death" a missão de mostrar que a última impressão acaba sendo, mesmo, a melhor que fica.

Não imaginava que veria um disco de música eletrônica me chamar tanto atenção. Quer dizer, até esperava alguma coisa desse disco do Prodigy, mas não tanto. Em comparação ao que se toca por aí, é um oásis no deserto – pelo menos para meu gosto. Que eles não fiquem tanto tempo sem lançar nada.

Tracklist:

1 - "The Day Is My Enemy"
2 - "Nasty"
3 - "Rebel Radio"
4 - "Ibiza" (featuring Sleaford Mods)
5 - "Destroy"
6 - "Wild Frontier"
7 - "Rok-Weiler"
8 - "Beyond the Death"
9 - "Rhythm Bomb" (featuring Flux Pavilion)
10 - "Roadblox"
11 - "Get Your Fight On"
12 - "Medicine"
13 - "Invisible Sun"
14 - "Wall of Death"

Nota: 4,5/5


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