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segunda-feira, 30 de março de 2015

Resenha: Niyaz – The Fourth Light


Formado por dois iranianos radicados no Canadá Azam Ali e Loga Ramin Torkian e pelo produtor Carmen Rizzo, o Niyaz tem uma proposta muito clara: levar a tradicional música do Oriente Médio, com todo seu neologismo e referência, com certo tom político para atravessar as fronteiras do mundo. E a intenção com isso tudo é levar uma mensagem de que é possível manter sua tradição em qualquer lugar.

O disco começa com o clima místico de "Sabza Ba Naz", faixa que mistura a batida eletrônica com elementos da música iraniana. A música segue uma linha leve, dançante para os padrões desse tipo específico de ritmo e não oscila muito na melodia – é praticamente a mesma do início ao fim, com um curto ápice. Em "Tam e Eshq", é possível perceber uma coisa: a intenção realmente é inserir o ouvinte em alguma coisa que chame a atenção, não é apenas tocar uma música para distraí-lo. Falando da segunda faixa, ela é mais dramática e com um quê de tristeza.

"Eyvallah Shahim 'New Rendition'" trabalha com mais elementos do Oriente Médio – música iraniana de raiz – e opta por mais partes instrumentais e repetições incessantes do refrão. Por ser a mais curta de todo disco, "Yek Nazar" não apresenta muitas coisas interessantes ou até mesmo inovadoras com relação às anteriores.

Mais uma vez, a mistura de elementos é a base da quase gospel "Man Haramam", com seu tom um melancólico, mas bonito de se ouvir, e "Aurat" tem um refrão instrumental muito bom. O bonito tom religioso do álbum retorna na ótima "Khuda Bowad Yaret" e seus elementos interessantes, como o uso de instrumentos típicos da Ásia.

A canção mais interessante para quem deseja buscar algum tipo de referência de outros mercados musicais, porém não sabe como começar, é "Shir Ali Mardan". Aqui, a cena tradicional se encontra com o moderno, colocando dois mundos diferentes em perspectiva. Enquanto a base segue no mesmo ritmo, é possível ouvir com clareza os instrumentos usados nas camadas para dar esse ar mais antigo à faixa. E "Marg e Man" encerra o trabalho com uma espécie de recado ao público.

Para quem gosta da chamada world music ou quem quer ouvir algo diferente, o Niyaz cumpre bem seu papel ao colocar em perspectiva o novo e o velho, e isso é feito muita qualidade de cuidado para não soar algo sem sentido.

Tracklist:

1 - "Sabza Ba Naz"
2 - "Tam e Eshq"
3 - "Eyvallah Shahim 'New Rendition'"
4 - "Yek Nazar"
5 - "Man Haramam"
6 - "Aurat"
7 - "Khuda Bowad Yaret"
8 - "Shir Ali Mardan"
9 - "Marg e Man"

Nota: 3,5/5


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