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segunda-feira, 6 de abril de 2015

Resenha: Moonspell - Extinct



“É a possibilidade de escolher que torna esta era de extinção tão diferente das anteriores”. Ouve-se esta reflexão inicial no DVD da edição deluxe de Extinct. A ideia não é reproduzir uma teoria darwiniana, mas focar as duas faces de uma mesma moeda: a vida e a morte. O que inflama o disco é justamente a noção da morte e como pode ser vista com proximidade.

Desde a sua estreia com Wolfheart, 20 anos atrás, o Moonspell tem seu som variado de um álbum para outro e, para os seus seguidores, cada lançamento parece uma montanha-russa surpreendente através de vários trajetos escuros. Desde seus primeiros registros mais próximos ao black metal, com letras sobre vampiros e romances, o quinteto de Lisboa mudou drasticamente seu som e temas líricos. Lançamentos como a obra-prima Irreligious (1996), caminhos mais experimentais em Sin/Pecado (1998) e The Butterfly Effect (1999), deixaram claro que os fãs devem sempre esperar o inesperado, especialmente considerando a tendência da banda em incorporar influências como Depeche Mode, Type O Negative e Marilyn Manson em suas criações.

Posso afirmar que temos aqui um sucessor natural de Alpha Noir/Omega White (2012), em que tivemos um trabalho duplo que combinou ambos os mundos da banda – tanto o seu lado extremo como o seu lado gótico. Essa condensação toda gerou um som mais uniforme – equilíbrio das facetas apresentadas anteriormente –, menos agressivo, mas ainda sombrio.

Não é surpresa que Extinct seja um registro obcecado pela a escuridão, mas o que o torna interessante é que ele se concentra na escuridão interior e a beleza que ela pode conter. Por isso, vários momentos soam cativantes e até mesmo felizes (?). Um exemplo claro é "The Last Of Us", que possui um som totalmente limpo, apresentando ricas e acessíveis melodias e trazendo um refrão incrivelmente grudento.

"Breathe (Until We Are No More)" e a faixa-título apresentam uma série de orquestrações e coros que me remeteram ao Dimmu Borgir (banda norueguesa) em vários momentos. Já "Medusalem" leva o som em direção ao Oriente Médio, com um riff que carrega esse sentimento. Vale ressaltar que há grande variedade que merece ser explorada, seja no ótimo trabalho de Ricardo Amorim e Pedro Paixão nas guitarras em "Domina", ou ainda nas pesadas "Funeral Bloom" e "Malignia", em que Fernando Ribeiro demonstra toda a sua incrível potência vocal.

Tracklist:

1 - "Breathe (Until We Are No More)"
2 - "Extinct"
3 - "Medusalem"
4 - "Domina"
5 - "The Last of Us"
6 - "Malignia"
7 - "Funeral Bloom"
8 - "A Dying Breed"
9 - "The Future Is Dark"
10 - "La Baphomette"

Nota: 3,5/5


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