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quarta-feira, 22 de abril de 2015

Resenha: Alabama Shakes – Sound and Color


Se você não viu o show do Alabama Shakes no Lollapalooza Brasil de 2013, é possível descrevê-lo da seguinte forma: é uma das coisas mais viscerais que já vi ao vivo. A guitarrista e vocalista Brittany Howard dá tudo de si e muito mais no palco, e Boys and Girls foi um dos grandes álbuns de 2012.

Três anos depois desse disco, que virou um sucesso absoluto e deixou a banda bastante conhecida, eles lançaram nesta semana Sound and Color, o segundo trabalho deles em estúdio. E a faixa-título, com sua introdução instrumental de quase um minuto, abre esse novo registro de maneira leve, beirando o soul com certo gingado.

O R&B de "Don't Wanna Fight" também leva uma introdução longa com Howard seguindo um caminho interessante no vocal ao fazer algo quase ao melhor estilo Prince: deixar a voz rolar sem muita afetação ou gritos – aliás, ela é um exemplo para muitas cantoras brasileiras e de outros lugares que adoram gritar. Em "Dunes", terceira faixa, é possível ver muito do quê de improviso do Alabama Shakes, principalmente no andamento instrumental do início da segunda metade.

A segunda melhor canção do álbum começa um riff marcante logo de cara, e me chamou a atenção o fato de "Future People" ter uma temática um tanto sombria para os padrões deles. Agora vem a melhor de todas: "Gimme All Your Love" é um blues, e por ser um blues é triste por natureza, e por se triste arranca lágrimas dos olhos por ser possível imaginar Brittany dando tudo de si no palco e despejando potencial vocal, enquanto a banda a acompanha com uma levada meio jazz, meio soul.

"This Feeling" é acústica e diminui bastante o ritmo do disco, enquanto "Guess Who" está um pouco abaixo das outras – e essas duas acabam sendo as mais fracas do álbum de maneira geral. Outra bem boa é "The Greatest", um rock veloz, pesado, cheio de improvisos e com bastante cara de que foi gravado em apenas um take. Fechando o quarteto do meio, apesar do nome, "Shoegaze" é quase um pop de tão suave que é.

Agora, um blues rock triste mesmo é "Miss You" com sua letra tão densa e uma interpretação tão visceral que penetra na sua alma de maneira que o olho enche de água ao mesmo tempo em que a vontade de gritar é enorme. Nas últimas canções, é possível ouvir algo mais triste – quase um funeral – ("Gemini") e um soul de alto nível ("Over My Head").

O Alabama Shakes lançou um dos bons discos que ouvi neste ano. Eles conseguem integrar momentos pesados em que falta pouco para arrancar o coração com momentos suaves e tristes, beirando a reflexão. Uma das ótimas bandas da atualidade não decepcionou.

Tracklist:

1 - "Sound & Color"
2 - "Don't Wanna Fight"
3 - "Dunes"
4 - "Future People"
5 - "Gimme All Your Love"
6 - "This Feeling"
7 - "Guess Who"
8 - "The Greatest"
9 - "Shoegaze"
10 - "Miss You"
11 - "Gemini"
12 - "Over My Head"

Nota: 4/5


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