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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Resenha: Roller Trio – Fracture


Essa resenha marca a estreia do Gabriel Carvalho como colaborador do blog. Ele falará sobre jazz e blues neste espaço.


O Roller Trio, formado por James Mainwaring (saxofone e efeitos eletrônicos), Luke Winter (guitarra) e Luke Reddin-Williams (bateria) – todos oriundos da Leeds College of Music – fez certo barulho no Reino Unido em 2012, quando lançou o álbum de estreia, Roller Trio. Apesar do som calcado no jazz, o trio está longe de se restringir ao que é considerado tradicional, criando um som cheio de experimentações.

E se esse experimentalismo pôde ser notado no primeiro disco, o grupo expandiu ainda mais a característica em Fracture, lançado no final do ano passado. A faixa de abertura, “Reef Knot”, ainda que não seja tão ‘revolucionária’ assim e tenha muito de jazz nela, já dá ao ouvinte uma ideia do que ele ouvirá nas demais faixas: quebras de ritmo e métricas não tão usuais. “Doris”, embora siga praticamente a mesma receita da canção anterior, apresenta um ‘nível de dificuldade’ maior, como a fase seguinte de um jogo de videogame.

“Low Tide”, uma espécie de interlúdio formado por um amálgama de efeitos eletrônicos, leva para a dobradinha de composições complexas formada por “High Tea” – com um início que remete aos ritmos orientais e uma ponte brilhante no final do solo de Mainwaring, que leva a canção de volta à harmonia inicial – e “2 Minutes to 12”, com sua mistura de  jazz, música eletrônica e rock.

A segunda metade do disco apresenta canções mais lentas, embora a experimentação continue em alta. Os efeitos eletrônicos dão o tom em “Tracer”; “Splinter” não empolga, mas vale pelo solo de sax – a esta altura, os leitores já perceberam que Mainwaring é quem mais se destaca como solista. 

Depois, mais uma dobradinha de músicas complexas. “Mango” é, talvez, a faixa mais ‘difícil’ do álbum: uma jam que vai do jazz à psicodelia, recheada com quebras de ritmo. “Three Pea Soup” começa ‘quebrada’ e tem um momento quase ‘rock’ na metade final. “Tightrope”, faixa que encerra o disco, é psicodelia pura com guitarra, sax e efeitos eletrônicos por todos os lados.

Fracture é um disco que pode soar difícil para um ouvido mais acostumado aos sons, digamos, tradicionais. Mas se esse ouvido não se prender às tradições e/ou aos gêneros musicais e der uma chance a estes jovens talentosos de Leeds, barreiras serão quebradas e uma experiência sonora deveras interessante estará à disposição.

Tracklist:

1 – “Reef Knot” 
2 – “Doris” 
3 – “Low Tide” 
4 – “High Tea” 
5 – “2 Minutes to 12” 
6 – “Tracer” 
7 – “Splinter” 
8 – “Mango” 
9 – “Three Pea Soup” 
10 – “Tightrope” 

Nota: 4/5


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