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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Resenha: Russo Passapusso – Paraíso da Miragem


Conhecido nome da cena de Salvador, Russo Passapusso participou de inúmeros projetos antes de começar sua carreira solo. Com apoio dos produtores Curumin, Lucas Martins e Zé Nigro, o cantor transita em todas as vertentes da música brasileira. Com influências dos anos 1970 e de coisas bem atuais, Paraíso de Miragem esteve entre os indicados ao Prêmio Multishow deste ano. Não levou, mas estar na premiação e ser debatido pelo superjúri chamou bastante atenção.

“Paraquedas”, primeira faixa do trabalho, tem uma coisa meio Novos Baianos, um ritmo que flerta com uma coisa bem brasileira com um pop bem acessível. A mistura de elementos funciona e transforma a música em algo tão interessante que até poderia ser alvo de estudos nas escolas por aí. “Remédio” sai dessa linha e usa mais os elementos do pop rock à Skank com um toque de brega dos anos 1970 para a segunda canção.

O romantismo chega com tudo em “Flor de Plástico”, letra que faria muito sucesso se fosse cantada por qualquer outro figurão da MPB, enquanto “Anjo” retorna o clima setentista com vários ritmos unidos em uma coisa só. A belíssima participação de Anelis Assumpção na sombria “Sem Sol”, mais um poema musicado do que uma música propriamente dita, ficou excelente.

Já “Areia” pende mais para o lado dos anos 1960, lembrando bastante o estilo de canção feito pelo MPB-4, enquanto “Sangue do Brasil” é um samba bem clássico e sem muita firula. Encaminhando a parte final, “Relógio” pode ser um resumo do disco até aqui: samba com rock com pop com manguebeat. Uma faixa bem brasileira e bem reconhecível que foi feita por aqui – as influências saltam aos ouvidos.

Mais uma que vai para o lado mais pop do samba, “Sapato”, esta com participação de Thalma de Freitas, é bem animada e dançante. O interlúdio “Devegar” antecede o forró – ou quase isso – de “Matuto”. BNegão, com um toque de música eletrônica, encerra o álbum com “Autodidata”. Por ser um disco bem brasileiro, os elementos usados nesse disco são os melhores possíveis e as referências são bem visíveis e claras. Mais um bom trabalho feito no Brasil sem precisar usar coisas de fora.

Tracklist:

1 - "Paraquedas"
2 - "Remédio"
3 - "Flor de Plástico"
4 - "Anjo"
5 - "Sem Sol"
6 - "Areia"
7 - "Sangue do Brasil"
8 - "Relógio"
9 - "Sapato"
10 - "Devagar"
11 - "Matuto"
12 - "Autodidata"

Nota: 3,5/5



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