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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Resenha: The Decemberists - What a Terrible World, What a Beautiful World


Melhor disco de 2011 do blog, The King Is Dead abriu portas para o Decemberists no mainstream. Sua influência de folk, country e indie colocaram o grupo de Portland no caminho do sucesso. De maneira até incrível, eles ficaram quatro anos sem lançar nenhum trabalho de inéditas. Mas isso mudou agora, com o lançamento de What a Terrible World, What a Beautiful World – o álbum chegou a vazar ainda em dezembro.

Na mesma linha do trabalho anterior, mas com um ar mais country, "The Singer Addresses His Audience" abre o disco de maneira leve e simples, quase colocando o ouvinte na vida de um interior que não quase existe mais. Com uma pegada mais indie pop recheada de instrumentos, "Cavalry Captain" não tem a grandeza da anterior e aposta em refrão e melodia fáceis.

Uma das coisas interessantes no Decemberists é como eles sabem usar bem elementos óbvios nas canções. Por exemplo, em "Philomena" os vocais de apoio praticamente carregam a música, enquanto o violino aparece bem ao longo de boa parte da melodia e dá um toque todo especial. A seguinte, "Make You Better", poderia tranquilamente estar no disco anterior. Essa coisa folk com o vocal quase falado, quando bem feito, é ótima.

Com quase seis minutos de duração, "Lake Song" segue a linha country que conta histórias. Ema uma letra simples, Colin Meloy conseguiu despejar sentimento e frustrações, e fez tudo isso sem gritar e com uma melodia muito calma e muito bonita. A partir dessa canção, vemos a melancolia chegar, confirmada em "Till The Water’s All Long Gone", que conta com uma bela parte instrumental nos minutos finais.

Se "The Wrong Year" deseja recuperar um pouco a animação, "Carolina Low" lembra muito as canções folk do período das guerras – sombria e sem esperança para o personagem retratado. Mais curta de todos, "Better Not Wake the Baby" parece ter sido feita em algum ponto do século 18, bem diferente da pop e dançante "Anti-Summersong".

A indie "Easy Come, Easy Go" contrasta muito com "Mistral", mais uma canção country que usa de elementos simples para contar uma bela história. Outra que poderia estar em The King Is Dead é "12/17/12", que até soa como sobra de estúdio. Por fim, a pedrada "A Beginning Song" mostra que o Decemberists está pronto para dar voos mais altos na carreira.

Com dois álbuns excelentes em quatro anos, o Decemberists merece muito mais do que a atenção de lugares especializados. Merece ser ouvido por milhões de pessoas, porque eles fazem músicas que tocam o coração. E isso tem sido raro em atrações de festivais, programas e sites sobre música.

Tracklist:

1 - "The Singer Addresses His Audience"
2 - "Cavalry Captain"
3 - "Philomena"
4 - "Make You Better"
5 - "Lake Song"
6 - "Till The Water’s All Long Gone"
7 - "The Wrong Year"
8 - "Carolina Low"
9 - "Better Not Wake the Baby"
10 - "Anti-Summersong"
11 - "Easy Come, Easy Go"
12 - "Mistral"
13 - "12/17/12"
14 - "A Beginning Song"

Nota: 4,5/5



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