terça-feira, 21 de outubro de 2014

Resenha: Thurston Moore – The Best Day


Thurston Moore é um dos melhores guitarristas de todos os tempos. Não, não é apenas olhando a eleição da revista Rolling Stone que estou falando isso. Ele participou de uma das bandas mais influentes da história da música. Não, não estou falando isso por gostar de Sonic Youth. Ao lado de Lee Ranaldo, Kim Gordon, Steve Shelley e Mark Ibold, ele mostrou a uma geração como era possível fazer música não-comercial e fazer sucesso – só o R.E.M fez algo semelhante.

Desde a separação de Gordon depois de quase 30 anos de casamento, o que colocou o Sonic Youth em uma pausa indeterminada – e duvido que voltem -, Moore se envolveu em diversos projetos, como o ótimo Chelsea Light Moving, e vinha trabalhando em seu novo disco solo, o primeiro desde Demolished Thoughts, de 2011. Com sua nova banda, formada por James Sedwards, Debbie Googe e Steve Shelley, ele trabalhou por quase dois anos no novo álbum.

Pois bem, finalmente chegou o dia do lançamento de The Best Day.

Como não poderia deixar de ser, "Speak to the Wild" apela muito para o solo de guitarra, melodias longas e letra funcionando apenas como base para Moore mandar ver no que saber fazer: tocar em alto e bom som. Claro, para quem gosta é um prato cheio por ser uma viagem relaxante. Dá para ouvir enquanto estuda, fazendo exercícios, durante o trabalho... Dá para ouvir na hora que você quiser.

Os mais de onze minutos de "Forevermore" podem parecem puro egoísmo ou qualquer coisa do gênero, mas não. Admito: não gosto de canções tão longas porque a maioria que tenta trabalhar esse estilo mais preenche o espaço com coisas aleatórias do que constroem algo minimamente bom. No caso dessa canção, a experiência de uma banda que tem Moore e Googe, baixista do My Bloody Valentine e Primal Scream, ajuda muito no desenvolvimento da música.

Mais curta, "Tape" não é menos cheia de improvisos do que as duas primeiras. A diferença é que ela é acústica e é mais instrumental, com um mínimo de interferência do vocal. Depois de quase 25 minutos de puro improviso, a faixa-título mostra que Moore não perdeu a mão em fazer uma boa canção, digamos, “normal”. Ela tem um bom refrão, os instrumentos conseguem fazer bem a transição entre os versos e, claro, há um ótimo solo de guitarra no terço final. Tudo que qualquer fã dele vai adorar.

Parece que o guitarrista quis agradar os fãs de Sonic Youth na punk, explosiva e feita para pular "Detonation". Curta e rápida, a banda mostra-se afiada para tocar canções velozes. De volta ao ritmo da primeira parte, "Vocabularies" também tem muito pouco de letra e muito de parte instrumental.

A capacidade de um grupo formado por pessoas que têm o mesmo pensamento musical e incrível capacidade de improvisar mostra que a música alternativa, essa mistura de hardcore, punk e experimental, coloca esse disco de Moore como uma das grandes alternativas ao atual momento da música. O final o disco, com as ótimas "Grace Lake" e "Germs Burn”, colocam o disco em outro patamar. Há muito tempo não ouvia um trabalho assim. Ah, ouvi, sim. Foi do Chelsea Light Moving.

Moore não parece ser um cara dos mais inventivos quando o assunto é mudar de estilo, mas ele, como poucos, entrega exatamente o que esperamos dele. Mantendo esse ritmo, teremos ótimos discos solos por aí.

Tracklist:

1 - "Speak to the Wild"
2 - "Forevermore"
3 - "Tape"
4 - "The Best Day"
5 - "Detonation"
6 - "Vocabularies"
7 - "Grace Lake"
8 - "Germs Burn”

Nota: 4,5/5



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