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quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Resenha: Weezer - Everything Will Be Alright in the End


O plano do Weezer era lançar um disco novo logo depois de Hurley e Death to False Metal, ambos de 2011, mas o plano foi abortado pelo vocalista Rivers Cuomo quando ele percebeu a discrepância entre os materiais e a qualidade abaixo do normal. Três anos depois, a banda coloca no mercado Everything Will Be Alright in the End, o nono trabalho de estúdio.

O início forte de "Ain't Got Nobody" mostra que o Weezer está disposto a manter a linha sombria dos últimos trabalhos, certo? Engana-se. Depois desse início, tudo fica reconhecível, e Cuomo começa a cantar com sua voz que é possível identificar até mesmo por um surdo. E aqui já podemos ver como esse disco tem potencial para ser maravilhoso.

Uma faixa e meia depois, um fato: o Weezer está inspirado. Em "Back to the Shack", temos um refrão grudento, exatamente o que popularizou a banda no início dos anos 1990 – aliás, ela é uma sobra de estúdio que ganhou vida agora -, enquanto "Eulogy for a Rock Band" mantém o mesmo tipo de trabalho, com a diferença de um solo de guitarra a mais.

O ar de nerd colegial, agora na moda por conta do seriado The Big Bang Theory, volta com tudo em "Lonely Girl". Típica canção que faria sucesso absurdo há dez anos, principalmente pela temática. E a melodia viciante? Nem a metade e não é difícil de afirmar que é o melhor trabalho deles em anos. Uma das coisas boas do Weezer é a capacidade de Cuomo em fazer letras curtas de fácil acesso, colocar peso na melodia e ser direto. Isso tudo acontece na ótima "I've Had It Up to Here", em que a guitarra aparece mais uma vez em um solo. Fazer boas baladas é outro ponto excelente na banda, e ele aparece em "The British Are Coming", que carrega consigo um refrão tão grudento que ficará na sua cabeça por semanas.

A romântica "Da Vinci" mostra que eles só querem que tudo fique bem no final, mesmo que faltem palavras para isso – especialmente aqui, vemos como o grupo consegue trabalhar bem os elementos da melodia. Não é questão de colocar os instrumentos, mas saber usá-los nos momentos certos. A cantora Bethany Consentino colabora nos vocais da ótima "Go Away", outra com uma letra muito, muito boa.

A força de "Cleopatra" está na parte final, quando a melodia acelera e ganha um contorno mais punk. E nem preciso falar que o refrão é fácil e na medida certa, né? O quê sombrio de "Foolish Father" coloca uma coisa em evidência: o Weezer não é mais a mesma banda de 20 anos atrás, porque há quatro caras beirando os 45 anos. Há maturidade, algo que eles mostraram nos últimos dois discos, aliás.

Considerando que "I. The Waste Land", "II. Anonymous" e "III. Return to Ithaka" é uma canção só dividida em três partes, o início instrumental complementa a letra empolgante na sequência e o fim é marcado por mais uma faixa instrumental, essa mais pesada (leia-se: com mais guitarras e riffs). Esse novo disco do Weezer lembra muito o Weezer de raiz, o Weezer toco y me voy de anos atrás. Claro, não é do mesmo nível, mas é muito bom. Um dos melhores trabalhos desse segundo semestre e um dos melhores do ano? Ouça bastante e sem moderação.

Tracklist:

1 - "Ain't Got Nobody"
2 - "Back to the Shack"
3 - "Eulogy for a Rock Band"
4 - "Lonely Girl"
5 - "I've Had It Up to Here"
6 - "The British Are Coming"
7 - "Da Vinci"
8 - "Go Away"
9 - "Cleopatra"
10 - "Foolish Father"
11 - "I. The Waste Land"
12 - "II. Anonymous"
13 - "III. Return to Ithaka"

Nota: 4,5/5



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