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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Resenha: Cachorro Grande – Costa do Marfim


Para quem não sabe ou nunca viu: a Cachorro Grande é uma baita banda ao vivo. Inspirados nos mods dos anos 1960 (The Who, Kinks, entre outros) e em grupos ingleses dos anos 1990, como Oasis, eles fincaram a bandeira do rock como tábua de suas canções. Agora, mais maduros, resolveram mudar a sonoridade em Costa do Marfim, novo disco.

Mudar a sonoridade é sempre difícil para qualquer banda porque a transição é complicada para todos, incluindo fãs e críticos. Por estar acostumado com uma banda que preenchia as melodias com muita guitarra e força, ouvir a instrumental "Costa do Marfim" é um choque. Mas isso não é nem o início da conversa – ou do choque, no caso.

Com mais de dez minutos (não, você não leu errado), "Nós Vamos Fazer Você Se Ligar" tem uma pegada absurdamente eletrônica. É muito estranho ouvir Beto Bruno cantar uma faixa assim, mas, aos poucos é possível ir acostumando e dá para aproveitar bem a melodia e o estilo. A guitarra finalmente aparece em "Nuvens de Fumaça", um bom rock para começar, enquanto "Eu Não Vou Mudar" tenta transitar entre dois mundos: a antiga Cachorro Grande e a nova.

Tudo bem mudar a sonoridade, mas "Crispian Mills" é uma mudança absurda. A influência da música indiana, o modo como a melodia foi tratada, enfim... Eu gostei bastante e é uma grata surpresa essa faixa. A influência eletrônica retorna em "Use o Assento para Flutuar" e seu bom refrão grudento.

"Como Era Bom" é o exemplo de canção que poderia estar em qualquer disco da banda. É fácil, um tanto envolvente e cheia de energia. O nível cai um pouco em "Eu Quis Jogar", a mais fraca do trabalho por não impressionar em nada e usar de recursos um tanto frágeis, como preencher parte da melodia com um solo, para completar a transição entre os versos.

Um depoimento com uma trilha rápida ajuda a envolver o ouvinte em "Torpor Partes 2 & 5" e pode até ser que tenha um motivo para fazer parte do disco, mas não é musicalmente. Não faz a menor diferença se estivesse ou não. A dançante "O Que Vai Ser" tem muito dessa nova música eletrônica e a mistura com a guitarra é interessante. O fim é com a engraçadinha "Fizinhur", que também não acrescenta em nada no disco.

É um trabalho diferente da Cachorro Grande, e demorei para embalar, confesso. O problema é a irregularidade e a falta de tato em alguns momentos, mas, no geral, é uma boa tentativa de mudança de sonoridade. Que eles sigam mudando, fazendo coisas diferentes e que encontrem um rumo.

Tracklist:

1 - "Costa do Marfim"
2 - "Nós Vamos Fazer Você Se Ligar"
3 - "Nuvens de Fumaça"
4 - "Eu Não Vou Mudar"
5 - "Crispian Mills"
6 - "Use o Assento para Flutuar"
7 - "Como Era Bom"
8 - "Eu Quis Jogar"
9 - "Torpor Partes 2 & 5"
10 - "O Que Vai Ser"
11 - "Fizinhur"

Nota: 3/5

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