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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Resenha: Julian Casablancas + The Voidz – Tyranny


Julian Casablancas se consagrou como vocalista dos Strokes, banda americana que apareceu no início dos anos 2000 e deu uma guinada no mercado então dominado pelas boy e girls-band. Anos depois, ele saiu em carreira solo e fez o ótimo Phrazes for the Young. Depois de lançar um disco por seu grupo original em 2012, Casablancas convidou os caras do The Voidz e ficou trabalhando em canções que viraram seu segundo álbum solo.

A textura de "Take Me in Your Army" já pode colocar uma dúvida na cabeça do ouvinte: saiu o Julian Casablancas empolgado dos últimos dois discos do Strokes e de sua primeira incursão solo para alguém mais introspectivo? Parece que sim, e isso fica ainda mais evidente em "Crunch Punch", segunda faixa. Temos alguém apostando em letras sérias.

Em "M.utually A.ssured D.estruction", a impressão até muda um pouco pelo ar punk da canção. Ela é veloz e cheia de instrumentos bem casados entre si, nem parece algo vindo de um Stroke, por exemplo. Tudo dá uma bela mudada na ótima "Human Sadness", canção carregada de melancolia na melodia e na letra. Essa, sim, mostra um compositor diferente do habitual. Alguém que resolveu trabalhar em uma faixa de mais de dez minutos e soube encaixar bem todos os elementos.

De longe, mas muito longe, "Where No Eagles Fly" é a mais parecida com Strokes, não sendo surpresa se for uma sobra de estúdio ou algo parecido, enquanto "Father Electricity" é esquisita, ruim e nem sei como começar a falar dela. É péssima, falando o mínimo. Tem referências em excesso e peca pelo exagero da melodia. É um samba doido. A dançante "Johan Von Bronx" se parece mais com as canções do primeiro disco solo, então acaba sendo passável.

E quem diria que Julian escreveria uma letra criticando os negócios e o capitalismo em geral, hein? "Business Dog” é muito boa (não, não sou comunista, nem petralha, nem venham com mimimi). A intragável "Xerox" não desce por ser muito pretensiosa, para usar um termo da moda na crítica musical. Já a influência latina de "Dare I Care" é muito interessante pela mistura com elementos eletrônicos. Outra que chama atenção é "Nintendo Blood". De novo, o equilíbrio entre os instrumentos é muito bom. Por fim, "Off to War..." é outra com pegada Strokes.

Para quem está acostumado com o primeiro disco solo de Casablancas e com sua banda de origem, é uma mudança bem radical esse álbum. Tyranny uma mudança de sonoridade esperada, mas não deixa de chocar. A irregularidade quebra um pouco o ritmo em algumas partes. Se é bom? É, mas não fique espantado com as canções. Ele não tem mais 25 anos para ficar cantando "Last Night" a vida inteira.

Tracklist:

1 - "Take Me in Your Army"
2 - "Crunch Punch"
3 - "M.utually A.ssured D.estruction"
4 - "Human Sadness"
5 - "Where No Eagles Fly"
6 - "Father Electricity"
7 - "Johan Von Bronx"
8 - "Business Dog"
9 - "Xerox"
10 - "Dare I Care"
11 - "Nintendo Blood"
12 - "Off to War..."

Nota: 3/5



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