No YouTube

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Resenha: The Gaslight Anthem – Get Hurt


O Gaslight Anthem é dessas bandas que descobri quando saí da adolescência e entrei na fase adulta, então as lembranças deles são as melhores possíveis. Depois do último trabalho, o ótimo Handwritten, eles retornam em Get Hurt, quinto álbum de estúdio - o primeiro na Island Records.

Ao começar o novo disco com "Stay Vicious", o grupo mostra que uma mescla de balada pop com guitarras pesadas é uma boa pedida. As boas melodia e letras mostram que eles ainda podem melhorar ainda mais. Mais pesado do que nos álbuns anteriores, com um ar meio Foo Fighters, "1,000 Years" é outra que segue a linha pop rock com guitarras altas.

"Get Hurt" é muito mais balada do que as outras, e isso é um problema. Fora de contexto, até que ela é razoável, mas, dentro do trabalho, não ficou boa essa diminuição de ritmo. E vamos combinar: ela é muito inferior às duas primeiras canções, assim como "Stray Paper", outra que soa como qualquer coisa tocada por aí ultimamente – as pausas manjadas, os vocais de apoio quando o vocalista diminui a voz e a retomada da força pós-verso.

Eles se dão bem melhor quando voltam a fazer o que sabem: mesclar rock e pop como em "Helter Skeleton" (pegaram a referência?). Prefiro eles assim do que no modo boy band rebelde, mas tudo muda em "Underneath the Ground", outra canção chatíssima.

"Rollin' and Tumblin'" mostra o Gaslight Anthem que prefiro: pesado, veloz e sem rodeios, e eles poderiam trabalhar mais assim. Mais lenta, "Red Violins" é muito boa por saber equilibrar melhor o lado romântico da banda com o lado mais rock, vamos dizer assim. O mesmo acontece em "Selected Poems", mais uma canção que supera algumas que estão nesse trabalho.

Na linha de One Direction e similares, "Ain't That a Shame" desaponta por ser tão boba e fraca, não fazendo jus ao passado recente deles. A baldada melosa "Break Your Heart" praticamente acaba com as chances de um final razoavelmente decente por ser repetitiva e cheia dos mesmos argumentos usados anteriormente. Encerrando, "Dark Places" era o tipo de canção que esperava que povoasse o disco, não um monte de baladas.

Por um lado, o Gaslight Anthem não é o mesmo de seis, sete anos atrás. As pessoas crescem e mudam. Por outro lado, não esperava que esse crescimento resultasse em baladas melosas fracas e repetitivas, deixando de lado o melhor que eles sabem fazer: canções recheadas de guitarras e com força nas letras. Esse disco é um passo atrás na carreira deles, mas certamente fará sucesso nas rádios pelo número absurdo de letras românticas. Tem quem goste.

Tracklist:

1 - "Stay Vicious"
2 - "1,000 Years"
3 - "Get Hurt"
4 - "Stray Paper"
5 - "Helter Skeleton"
6 - "Underneath the Ground"
7 - "Rollin' and Tumblin'"
8 - "Red Violins"
9 - "Selected Poems"
10 - "Ain't That a Shame"
11 - "Break Your Heart"
12 - "Dark Places"

Nota: 2,5/5



Veja também:
4 em 1: Toni Braxton & Babyface, Mike Oldfield, Angel Olsen e Joe Louis Walker
Resenha: Opeth - Pale Communion
Resenha: Tatá Aeroplano – Na Loucura e Na Lucidez
Resenha: Sinéad O’Connor – I’m Not Bossy, I’m The Boss
Resenha: Antemasque – Antemasque
4 em 1: Twin Peaks, Hot Action Cop, David Grissom e Have a Nice Life




Siga o blog no Twitter, Facebook, Instagram e no G+