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quarta-feira, 12 de maio de 2021

Resenha: Van Morrison - Latest Record Project Volume I


Quem conhece o mínimo da carreira de Van Morrison, sabe que ele é um dos grandes compositores e interpretes dos últimos 50 anos. Com uma potência vocal absurda e uma sensibilidade para escrever letras em que qualquer pessoa se identifica com bastante facilidade, ele surpreendeu uma parte considerável das pessoas quando mostrou ser um negacionista da pandemia da COVID-19 e um adepto ferrenho de teorias conspiratórias que aparecem em mensagens nos celulares para apavorar e colocar as pessoas em eterno estado de alerta por coisas que simplesmente não existem.

Esse período de pandemia foi mais que suficiente para ele escrever e gravar as 28 canções de "Latest Record Project Volume I", um disco duplo em que ele fala sobre os mais diversos assuntos, si mesmo e mais um pouco dele mesmo. Ao longo de quase duas horas, é possível perceber que o cantor é aquela pessoa que tem determinada ideia na cabeça sobre qualquer assunto, digamos uma teoria qualquer sobre o Serviço Secreto britânico, recebe uma mensagem no celular confirmando tudo isso e passa a espalhá-la como se fosse verdade. Isso soa familiar?

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A diferença é que Morrison não dá a menor oportunidade para refutar qualquer coisa ao alegar inveja e ciúmes de qualquer um que o contrarie. Sim, tudo isso no mesmo álbum feito por um senhor de 75 anos que mistura mesquinharia, empáfia, infâmia, paranoia e indignação por, segundo ele mesmo em entrevistas, "por ter o direito de ir e vir ceifado" pela pandemia.

Mas o veterano cantor quase engana. Habilidoso em construir boas letras e melodias, ele consegue fazer canções grudentas com ótimos arranjos. O resultado disso? Muita gente pode sair cantando uma música por aí sem saber o que significa unicamente por achá-la bonita ou pela admiração pelas influências do blues, jazz, country e soul.

"Latest Record Project Volume I", se o título for mesmo confirmado, é o início da despedida de um dos cantores mais brilhantes das últimas décadas, mas que jogou uma pá de cal no final da carreira ao apresentar um trabalho para exaltar as próprias teorias e a si mesmo como uma espécie de senhor da razão em qualquer assunto. É o caso claro de viver muito e virar vilão.

Tracklist:

Disco 1

1 - "Latest Record Project"
2 - "Where Have All the Rebels Gone?"
3 - "Psychoanalysts’ Ball"
4 - "No Good Deed Goes Unpunished"
5 - "Tried To Do The Right Thing"
6 - "The Long Con"
7 - "Thank God For The Blues"
8 - "Big Lie"
9 - "A Few Bars Early"
10 - "It Hurts Me Too"
11 - "Only A Song"
12 - "Diabolic Pressure"
13 - "Deadbeat Saturday Night"
14 - "Blue Funk"

Disco 2

1 - "Double Agent"
2 - "Double Bind"
3 - "Love Should Come With A Warning"
4 - "Breaking The Spell"
5 - "Up County Down"
6 - "Duper's Delight"
7 - "My Time After A While"
8 - "He's Not The Kingpin"
9 - "Mistaken Identity"
10 - "Stop Bitching, Do Somethin'"
11 - "Western Man"
12 - "They Own The Media"
13 - "Why Are You On Facebook?"
14 - "Jealousy"

Avaliação: ruim

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