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quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Sem plano do governo federal contra Covid-19, Rock in Rio em 2021 não passa de sonho


Na noite de ontem (15), o Rock in Rio anunciou Iron Maiden, Dream Theater, Megadeth e Sepultura na primeira leva de atrações da edição marcada para 2021. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas, como diria o outro, faltou combinar uma coisa: como ter festival se não tem nenhum plano de imunização contra a Covid-19, responsável pela morte de quase 200 mil brasileiros? Como colocar quase 100 mil pessoas por dia em um evento sem a certeza da vacinação em massa daqui a menos de um ano?

O plano nacional de imunização deveria ter sido anunciado hoje. Sim, deveria, porque o que foi feito nessa manhã só pode ter sido uma piada de péssimo gosto. Em resumo: não tem plano. O motivo? Não tem vacina, não tem seringa, e ninguém sabe como as coisas vão acontecer. O plano é contar com a vacina da parceria da Universidade de Oxford com o laboratório AstraZeneca, justamente a que deu problema nos testes. Agora, tudo está tão no limbo que testes clínicos em conjunto com a Sputinik-V, vacina desenvolvida pelo instituto russo Gamaleya, foram anunciados.

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Todos os países com um plano em mente colocaram dinheiro em pelo menos quatro vacinas. Olhem os Estados Unidos. No início da tarde de ontem, o FDA, a agência reguladora emitiu o primeiro parecer favorável ao uso da vacina desenvolvida pela Moderna. E por que isso é importante sendo que eles já têm a vacina da parceria Pfizer/BioNtech? Ambas tem eficácia alta, mas a da Moderna pode ser armazenada em uma temperatura entre -2 °C e -8 °C -- um freezer normal é o suficiente para armazená-la --, enquanto a da BioNtech precisa de um super refrigerador que fique entre -70 °C e -80 °C. Ou seja, a da Moderna é muito melhor para distribuir para uma parcela alta da população com perdas mínimas de material.

E aqui? O presidente da República prefere inaugurar duplicação de trecho de rodovia, desmentir o próprio plano de governo, seguir mentindo sobre o que disse no início da pandemia e fazer campanha contra a vacinação em massa. Tudo para tumultuar ainda mais a vida das pessoas que sofrem com a alta do preço dos alimentos, o fim do auxílio emergencial e um governo que insiste em continuar em campanha perto de começar o terceiro ano do mandato. Sucupira é aqui.

Por todos esses fatores, qualquer anúncio de volta de qualquer atividade que demande uma alta concentração de pessoas soa inviável, mesmo no longínquo mês de setembro. O Rock in Rio pode anunciar qualquer atração no dia que quiser, mas, por mais que digam que estão otimistas, esse governo mostra que o pessimismo é moda no Brasil. E, infelizmente, parece não existir prazo para o otimismo voltar.

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