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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Resenha: Raphael Saadiq - Jimmy Lee


Raphael Saadiq é cantor e multi-instrumentista, e teve uma carreira de sucesso no grupo Tony! Toni! Toné!. Quando partiu para carreira solo, trabalhou com D'Angelo no Ummah e produziu vários disco de músicos, cantores e cantoras importantes nos últimos anos. Sem lançar material inédito desde "Stone Rollin'" (2011), ele disponibilizou recentemente "Jimmy Lee" -- quinto álbum de estúdio da consagrada carreira solo.

Ao longo dos anos, Saadiq sempre se apresentou como uma espécie de sucessor de Prince, alguém pronto para assumir esse legado. Com a morte do músico em 2016, chegou a hora. "Sinners Prayer" abre o álbum mostrando todo esse potencial no arranjo, que seduz qualquer um que ouça como ele consegue falar da realidade dos afro-americanos de maneira bem crua e impactante. Mas a seguinte, "So Ready", é mais leve e coloca o pessoa para dançar. E, a partir disso, começa a história de Jimmy Lee.

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Se "This World is Drunk" temos uma faixa mais melancólica para falar do mundo de hoje -- e com incrível potencial para ganhar vida em filmes e documentários --, "Something Keeps Calling" segue a linha da anterior em termos de melancolia, mas vai além ao dar um tom mais gospel para essa tristeza. É como se o intérprete carregasse todo peso do mundo nas costas e não conseguisse tirá-lo, no que resulta na dolorosa "Kings Fall".

"I'm Feeling Love" fala sobre ter apoio de quem ama, enquanto "My Walk" é clara sobre o dia-a-dia de Jimmy e como seu vício em heroína leva a fazer coisas muito ruins. E "Belongs to God" é a típica música gospel que só essas congregações cristãs americanas conseguem ter no repertório. É contagiante até para quem é ateu. O resultado de todo álbum pode ser encontrado em "Glory to the Veins", quando esses dois mundos se colidem de alguma maneira.

Saadiq toca na ferida do sistema prisional americano na ótima "Rikers Island", a melhor do álbum. Mais uma declaração do que uma música, "Rikers Island Redux" é protesto puro e simples. É o tipo de canção dolorosa de ouvir, porque é a mais pura verdade. E ninguém faz nada. Por fim, o álbum encerra com "Rearview" e o recado para seguir em frente.

Esse álbum não é apenas bom no sentido musical. É bom no sentido de mostrar a realidade nua e crua de algumas pessoas pelo mundo. É um disco conceitual e conta uma triste história que pode acontecer em qualquer esquina. E Raphael Saadiq usa todo seu talento para passar essa mensagem.


Tracklist:

1 - "Sinners Prayer"
2 - "So Ready"
3 - "This World is Drunk"
4 - "Something Keeps Calling" (feat. Rob Bacon)
5 - "Kings Fall"
6 - "I'm Feeling Love"
7 - "My Walk"
8 - "Belongs to God" (feat. Reverend E. Baker)
9 - "Dottie Interlude"
10 - "Glory to the Veins" (feat. Ernest Turner)
11 - "Rikers Island"
12 - "Rikers Island Redux" (feat. Daniel J. Watts)
13 - "Rearview"

Avaliação: ótimo



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