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segunda-feira, 8 de abril de 2019

Lollapalooza Brasil 2019 - Como foi (do sofá)

Twenty One Pilots (Foto: Lollapalooza Brasil/Divulgação/Facebook)

No último final de semana, aconteceu a oitava edição do Lollapalooza Brasil. Mais uma vez, vi tudo do conforto do sofá de casa, da cadeira dura da cozinha e de uma confortável rede preguiçosa para deitar. Também gostaria de ter ouvido uma sinfonia de pardais, mas a programação do festival deste ano foi dominado pela música jovem. E confesso que vi pouca coisa, menos do que nos anos anteriores. Só consegui ver mais o turno da noite mesmo.

Consegui ver um pedaço de Portugal. The Man no primeiro dia e me surpreendeu positivamente. Banda está bem mais madura musicalmente e consegue segurar um show relativamente grande. Graças aos céus e as forças divinas, só vi um pedaço Tribalistas. E o que vi não foi nada animador porque não entendi absolutamente nada do que estava sendo dito. E foi aí que percebi que a letra era de Arnaldo Antunes e tudo fez sentido -- ou não.

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O cantor britânico Sam Smith levou seu estilo Alpha FM para o palco e encantou todo mundo com mais de 60 anos (fisicamente e psicologicamente). Mirando em George Michael, ele acerta em Eros Ramazotti (essa eu vi no Twitter e não lembro quem foi) bem no alvo. Ele canta baladas inofensivas sobre o amor e coisas do tipo, tudo que esse tipo de público adora. O Arctic Monkeys fechou o dia de apresentações provando ao mundo que o novo disco é um desastre ao vivo e esse Alex Turner crooner não funciona. Banda ficou adulta e chata, tanto é que a base do show foi "A.M", disco anterior ao desastre chamado "Tranquility Base Hotel & Casino".

A chuva atrapalhou o segundo dia e só fui ver alguma coisa quando o Snow Patrol estava perto de encerrar a apresentação (fiquei vendo "O Mundo Sombrio de Sabrina"). Vi pouco do Bring Me the Horizon, mas suficiente para perceber que eles são os filhos tatuados do Incubus, um Linkin Park com mais pose. Coisa horrorosa. E sem fazer o menor esforço, Lenny Kravitz botou todo mundo no bolso com uma apresentação mesclando sucessos antigos e coisas do repertório novo. A banda que o acompanha é espetacular, coisa finíssima. Enfim, um bom show.

Um representante da música jovem atual, o rapper Post Malone só agitou mesmo na parte final quando tocou duas músicas legais ("Sunflower" e "Rockstar") e chamou o MC Kevin O Chris para o palco. De resto, foi absurdamente chato e entediante vê-lo na TV. Quem fechou o segundo dia foi o Kings of Leon, que me lembra muito Ronaldinho Gaúcho: teve três anos maravilhosos, mas ficou burocrático com o passar do tempo. A base do show ainda é "Only By the Night", disco lançado há mais de uma década -- e funciona muito bem, só tem hit esse disco.


Comecei o terceiro dia vendo três músicas do The Struts. Eles soam como se o Strokes tivesse sido fundado na Vila Madalena depois de um bloco de carnaval com influências de Darkness, Queen e glam rock. Não achei ruim e vou atrás para ver qual é a deles mesmo. Depois veio o Interpol. Tocando de dia, não funciona, não adianta. Por mais o público e banda se esforcem, não dá. É banda para tocar depois das 18h. Quem viu em lugar fechado precisa agradecer todos os dias.

Agora, patético mesmo é o Greta Van Fleet. Uma cópia pura e simples de Led Zeppelin em tudo. Problema não é pegar uma referência musical e trabalhar em cima, isso é ok. Problema é praticamente roubar tudo. Do conceito ao visual. É praticamente uma banda de filme, como o de "Quase Famosos". Agora resta saber se ladrão que rouba ladrão tem mesmo 100 anos de perdão. O dia na TV foi encerrado com Twenty One Pilots, uma playlist ambulante. Eles não se encaixam em gênero nenhum e fazem de tudo um pouco para agradar todo mundo. Caso eu tivesse entre 14 e 18 anos, provavelmente gostaria deles. O show é bem intenso.

"Pela TV não temos muita ideia do que acontece lá, então vou reclamar do som mais uma vez. Ainda não encontraram o jeito certo de transmitir o evento ao vivo com uma qualidade boa. Já dos apresentadores não dá para reclamar muito: afinal, o Lollapalooza é parceiro do Multishow e como falar mal do produto do sócio da empresa que paga seu salário? Não tem como. Entender isso é compreender melhor todos os comentários genéricos feitos por todos que passam ali.

Outra reclamação: preço do ingresso. Lotou, mas pagar mais de R$ 1.000 para três dias de festival sempre soará absurdo."

Esse trecho é do texto do ano passado, mas ainda serve.

Resta saber se teremos festival ano que vem.

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