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segunda-feira, 27 de março de 2017

Festival: Lollapalooza Brasil 2017 – como foi (do sofá)

Crédito da foto: Lollapalooza Brasil/Facebook

Nova edição teve Metallica e Strokes como atrações principais

Como vem acontecendo há alguns anos, a melhor escolha para ver o Lollapalooza Brasil foi o SofáPass - ingresso que você adquire em condições muito especiais. De cara, por causa do jogo do Santos contra o Santo André, não consegui ver o BaianaSystem direito, mas juro que tentarei vê-los em algum show no Sesc. Mas, fora o melhor grupo brasileiro dos últimos anos, pouca coisa realmente empolgou nos dois dias de evento.

Cage The Elephant é uma banda simpática, esforçada e entrega um show bom o suficiente para quem viu, 'in loco' ou pela TV, ficar satisfeito. Já The 1975 tem uma vibe muito errada, e eu perdi a paciência. Não tem problema em ter os anos 1980 como referência, problema é enfileirar três músicas iguais na sequência. Ficou chato.

Dizem que o esforço leva à recompensa, certo? Assim que começou o Rancid, eu entendi o motivo de passar pelo martírio para chegar ao reino dos céus. Que show incrível. Tim Armstrong, parecendo um membro do Slayer, conseguiu dar conta de animar o pessoal. Aliás, não só ele. Já veteranos, com mais de 25 anos de carreira, a banda ainda tem fôlego para soltar um hit atrás do outro e colocar o pessoal na roda para relembrar como éramos felizes no fim dos anos 1990 e início dos anos 2000 e sabíamos. Meu eu de 16 anos ficaria maluco para ter ido nisso e teria se divertido horrores.

(Crédito da foto: Lollapalooza Brasil/MRossi)


Mas nada ganhou na chatice nesse ano do que The xx. Que porre. Desisti na terceira música e fui fazer outra coisa. Comi, tomei banho e esperei pacientemente o Metallica. Porque ver o duo no palco é como ver seis temporadas seguidas de Game of Thrones: fiquei muito cansado em pouco tempo. Ainda dei uma passada para ver qual era a da Tove Lo. Para surpresa nenhuma, ele mostrou os peitos de novo e serviu para quebrar a internet, lacrar e chocar a família brasileira que não está nem aí para o Lollapalooza Brasil.

Metallica trouxe menos pirotecnia para o Brasil desta vez, mas conseguiu entregar um show bom. Surpreendeu a quantidade de músicas do novo álbum, e isso soou um recado: eles confiam muito nesse material, que é realmente acima dos últimos depois do Black Album. E ainda rolou "Whiplash", "Battery" e "Master of Puppets", fora os sucessos do disco mais famoso. Enfim, deu para satisfazer os fãs de todas as épocas.

No segundo dia, comecei um pouco desapontado com a Céu. O último disco dela é ótimo, mas parece faltar força para um palco grande como é o do Lolla. Ficou muito aquém. Já Catfish and the Bottleman parece uma cópia ruim do Vaccines, banda muito melhor e mais animada. É melhor deixar o rock inglês morrer se depender do sucesso deles.

(Crédito da foto: Lollapalooza Brasil/ihateflash)

O Jimmy Eat World é mais uma em que meu eu de 16 anos teria ido ao festival para assistir numa boa. É muita balada bobinha para adolescente apaixonado, porém impossível resistir. Duas músicas e já estava cantando junto. Quem arrebentou mesmo foi o Duran Duran. Senhoras e senhores, que banda espetacular. Porque eles chegaram, colocaram o pau na mesa e desfilaram sucessos – parecia um especial da Antena 1 pela quantidade. São veteranos sem ficar sentados na preguiça ou no sucesso, e deu para ver os esforço deles em entregar o melhor possível ao público. Uma pena que o horário ruim deu uma quebrada no clima e na força dos jogos de luzes. Apesar disso, valeu a pena.

Two Door Cinema Club é outro do grupo dos esforçados. Ao colocar o pessoal para dançar e segurar a melhor música para fim, eles aprenderam direitinho a conquistar um determinado tipo de público fiel a todos os antigos e futuros trabalhos. Agora, The Weeknd é ainda pior ao vivo. É muito certinho, bonitinho, não há erros graças ao playback e é aí que pega. Não tem espaço para nada fora do script, fora que soa sempre a mesma música. Desse novo R&B, o Michael Kiwanuka tem muito mais a dizer e, em 2017, é mais necessário.

(Crédito da foto: Lollapalooza Brasil/MRossi)

Por fim, os Strokes. Adolescência pura. Disk MTV, dias de trabalho ouvindo o disco gravado por um amigo de escola... Foram ótimos tempos. Ao vê-los hoje, fico com a mesma impressão do Los Hermanos: é algo tão distante, que é melhor ficar no passado mesmo. Mas eles ainda conseguem entregar exatamente o esperado, mesmo preguiçosos e burocráticos. Valeu pela nostalgia e para relembrar como eles tem ótimas músicas no repertório.

De casa, pareceu ser o pior ano do Lollapalooza Brasil em questão de qualidade. Fora Rancid e Duran Duran – os melhores – e Strokes e Metallica – que só não entregam um bom show se não quiserem –, o resto pareceu muito tedioso, sem graça ou esforçado. Me parece muito pouco, mas não para o evento. Segundo os números divulgados, foram 190 mil ingressos vendidos para os dois dias – o primeiro esgotou. Ou seja, o público gosta de atrações veteranas, independente do resto do festival. Vale ficar de olho para saber se não será uma tendência para os próximos anos.

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