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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Resenha: Chris Cornell – Higher Truth


Antes de lançar o disco ao vivo Songbook, Chris Cornell cometeu o maior erro de sua carreira quando colocou no mercado um dos piores discos da história: Scream, talvez a tentativa mais patética de um cantor que, ao ir pela moda, quase arruinou todo um legado musical. Depois desse erro quase imperdoável, ele voltou aos trilhos, reuniu o Soundgarden novamente para um disco de estúdio e uma turnê, e retomou sua carreira solo.

Higher Truth é o quarto disco de estúdio que leva apenas o nome de Cornell e começa com "Nearly Forgot My Broken Heart", mostrando bem a cara do disco: acústico, um peso aqui e acolá e um cantor que está longe de seus melhores momentos, mas, até por isso, adapta-se a nova realidade ao ir para um repertório mais leve, vocalmente e musicalmente falando. A bonita e melancóloca "Dead Wishes" mostra que a intenção do cantor em fazer apresentações intimistas está ganhando cada vez mais força ao passar dos anos.

Na voz de qualquer outro, "Worried Moon" soaria brega e melosa, mas com Cornell... É exatamente o que acontece, dando a ele quase o status de Fábio Júnior do grunge. Se fosse mais pesada um pouco, "Before We Disappear" teria potencial para ser uma balada diferente, mas, acústica, soa como um dos muitos covers feitos pelo cantor em seu último disco.

De estilo celta, principalmente pelo arranjo mais arcaico, "Through the Window" é outro bom acerto do álbum, ficando muito bem com esse tipo de voz mais arranhada, enquanto "Josephine" é romântica e tem um refrão (My sweet Josephine/Won't you come and marry me?/I got every kind of Love/That you would ever need/Dying here on bended knees) um tanto piegas, mas bonito.

Sétima faixa, "Murderer of Blue Skies" poderia funcionar melhor se focasse apenas na parte banquinho/violão e menos nos efeitos, que a deixaram com menos qualidade do que seu potencial – até que o solo de guitarra e os gritos de Cornell compensam um pouco. O ponto alto do disco é "Higher Truth". O violão aliado ao piano deu todo, como diria o poeta, ‘um plus a mais’ à faixa, boa por si só. Então, depois de uma canção mais pesada, "Let Your Eyes Wander" aparece para dar o ar de calmaria que o disco deseja apresentar, e "Only These Words" tenta ter uma pegada mais country, mas seria melhor se não tivesse. "Circling" encerra o disco da maneira como começou e ainda dá uma pegada pop em um refrão um tanto grudento.

Não é um álbum que mudará o valor do dólar, porém, ao menos, mostra que Chris Cornell não deseja cometer o mesmo erro de alguns anos atrás e ainda conseguiu adaptar-se ao seu momento atual (mais velho e sem a famosa potencia na voz). Tem um deslize aqui e ali, claro. Ainda assim, o resultado é positivo.

Tracklist:

1 - "Nearly Forgot My Broken Heart"
2 - "Dead Wishes"
3 - "Worried Moon"
4 - "Before We Disappear"
5 - "Through the Window"
6 - "Josephine"
7 - "Murderer of Blue Skies"
8 - "Higher Truth"
9 - "Let Your Eyes Wander"
10 - "Only These Words"
11 - "Circling"

Nota: 3/5



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