No YouTube

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Resenha: Snarky Puppy - Sylva



O Snarky Puppy, liderado pelo baixista Michael League, é um coletivo formado por uma infinidade de músicos (passando dos 40 membros se contarmos todos os que, em algum momento, já tocaram ou gravaram com League e cia.) que pode ter sua história definida por duas palavras: trabalho e persistência. Da estreia, em 2006, com The Only Constant, até 2010, eles passaram despercebidos por grande parte do público, mesmo tendo gravado mais dois discos em 2007 e 2008 – três álbuns respeitáveis, diga-se. Com poucos recursos, a banda tocava sempre no mesmo ‘circuito’, que incluía algumas cidades dos Estados Unidos e do Canadá.

Em 2010, no entanto, Tell Your Friends foi lançado e veio com um conceito diferente: a banda tocando ao vivo em um estúdio, com uma plateia ao redor dela. A ideia, concebida por League e pelo baterista Robert ‘Sput’ Searight, foi registrada em vídeo e o pacote CD/DVD foi lançado. Mas a grande sacada do baixista foi se aproveitar do meio mais eficiente de divulgação/viralização dos tempos atuais: a internet. Ao postar os vídeos no You Tube e replicar no Facebook e Twitter, o coletivo começou a chamar a atenção do mundo da música com as performances cheias de energia e técnica. O processo de gravação tem se repetido desde então e a banda tem se apresentado por todo o mundo – passando pelo Brasil em 2014, durante o BMW Jazz Festival.

Em março do ano passado, pouco antes das apresentações em território brasileiro, League colocou o Snarky Puppy para gravar aquele que pode ser considerado o projeto mais ambicioso do grupo até o momento: um disco com uma orquestra. E o baixista levou sua trupe até a Holanda para gravar com a Metropole Orkest, que pode ser considerada uma mistura de big band de jazz com uma orquestra tradicional de música clássica. Pouco mais de um ano após as gravações, Sylva, oitavo álbum da banda, é revelado ao mundo.

O líder dos ‘pups’ (como eles mesmos se denominam) compôs as seis faixas do registro, que abre com uma trinca que é tocada de maneira direta, como se fosse uma só. “Sintra” é dominada pelas influências do clássico, com a orquestra abrindo os trabalhos e a banda entrando aos poucos até que um groove hip-hop toma conta: é “Flight” que começou. A batida da bateria de Searight e os teclados tomam conta do pedaço – a ‘batalha’ de solos no último trecho desta canção é algo a se destacar. Ao final da ‘batalha’, uma breve passagem e “Atchafalaya” surge, levando o ouvinte a New Orleans e suas big bands com um jazz/funk suingado.

Após a pausa tradicional de uma canção para a seguinte, surge “The Curtain” e seus pouco mais de quinze minutos contendo música clássica, jazz – com progressões de acordes e um solo de trompete de encher os ouvidos – fusion (com um solo de baixo ‘oitavado’), hip-hop – com Cory Henry simplesmente destruindo no Moog – e, por fim, música clássica (praticamente um momento solo de Bill Laurance despejando altas doses de sensibilidade ao piano). “Gretel” e seus acordes poderosos é a que exemplifica melhor como funcionou muito bem a parceria entre a banda e a orquestra – aqui, é como se as duas partes formassem um único ser.

Para encerrar o disco, “The Clearing” – a mais longa do álbum, com quase vinte minutos – é uma espécie de suíte, com várias canções em uma: música clássica ‘à Snarky Puppy’, jazz/fusion/funk – com Mark Lettieri e sua guitarra cheia de groove fazendo dupla com Mike Maher e seu trompete cheio de efeitos – um pouco de batidas ‘retas’ de hip-hop, seguidas por uma melodia bem suingada e influenciada por ritmos latinos. Uma breve pausa e a banda surge em uma pequena jam tocada em cima da melodia principal da canção – este trecho tendo como destaque o solo de guitarra de Bob Lanzetti – com a orquestra se juntando para encerrar.

Ao final da audição das seis faixas, a impressão é de que o “voo mais alto” do Snarky Puppy flui muito bem, sem “turbulências” ou um “pouso forçado” no final. A parceria com a Metropole Orkest e a mistura de ritmos e gêneros resultou em um dos grandes discos de 2015 até o momento. Pena que poucos serão os felizardos que poderão ver isso ao vivo, já que banda e orquestra têm apenas algumas apresentações conjuntas agendadas para este ano - somente na Europa.

Tracklist:

1 – “Sintra (Live From Dordrecht, Het Energiehuis / 2014)”
2 – “Flight”
3 – “Atchafalaya”
4 – “The Curtain”
5 – “Gretel (Live From Dordrecht, Het Energiehuis / 2014)”
6 – “The Clearing”

Nota: 5/5




Veja também:
Resenha: The Staves – If I Was
Resenha: Alabama Shakes – Sound and Color
Resenha: Godspeed You! Black Emperor - Asunder, Sweet and Other Distress
Resenha: Prodigy – The Day Is My Enemy
Resenha: Villagers - Darling Arithmetic
Resenha: Seasick Steve – Sonic Soul Surfer
Resenha: Guadalupe Plata – Guadalupe Plata 2015
Siga o blog no Twitter, Facebook, Instagram, no G+, no no Tumblr e no YouTube

Gostou do conteúdo? Compartilhe nas redes sociais!