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segunda-feira, 16 de março de 2015

Resenha: Madonna – Rebel Heart


Não importa como, Madonna gosta de chocar o mundo e mostrar que pode continuar ocupando o chamado posto da rainha do pop em suas aparições. Neste ano, assim como em todos os outros, a expectativa por um novo trabalho era grande por parte dos fãs. E ele veio, Rebel Heart é o 13º disco de estúdio da cantora que está na indústria musical há mais de 30 anos.

Há alguns anos, a cantora tem usado o artifício muito comum em músicos veteranos: aliar-se com quem está fazendo sucesso. De Caetano Veloso a Paul McCartney, esse movimento é bem comum e ficou ainda mais claro nos últimos anos. Madonna vem tentando se renovar desde Ray of Light. Em Music, houve um acerto com um single grudento, então veio um fracasso (American Life), outro disco que chegou ao topo das paradas (Confessions on a Dance Floor, que é irregular), mais um álbum ruim (Hard Candy) e um irregular (MDNA).

Por isso, talvez, Rebel Heart seja a última chance de Madonna em conseguir, finalmente, essa aproximação com um público novo sem afastar os antigos fãs. De cara, um acerto: "Living for Love" é desses singles que estará nas futuras coletâneas da cantora por ter tudo que uma boa mistura entre pop e eletrônico precisa ter com, como diria o outro, ‘um plus a mais’ de um refrão grudento que não sai da sua cabeça nem com reza brava.

A mistura de ritmos do Oriente Médio com eletrônico até que funciona bem em "Devil Pray", segunda faixa do álbum. Um grave defeito nos álbuns mais recentes de Madonna é falta de canções que segurem o ouvinte por mais tempo. Com "Ghosttown", é a terceira faixa diferente em 13 minutos de audição. Não tem como manter alguém muito atento se começa agitada e depois vai diminuindo o ritmo de uma vez.

Daí vem uma espécie de reggae em "Unapologetic Bitch". É bom? Não, é ótimo! É contagiante e dá até vontade de dançar. Outro bom acerto da cantora, o que não acontece em "Illuminati" – para meu gosto, é feita para pistas e, particularmente, não gosto de canções assim. E tudo piora ainda mais com "Bitch I'm Madonna”, com a participação bem esquecível de Nicki Minaj. Com seu tom épico, "Hold Tight" é bem comum em sua composição geral e acaba sendo apenas uma canção mediana.

Quando Madonna parte para algo mais simples, como em "Joan of Arc", consegue mostrar que ainda sabe fazer uma boa música pop (acústica, diga-se). Com a participação de Chance the Rapper e Mike Tyson em partes da música “Iconic" deve agradar quem gosta do eletrônico com quê de anos 1990. E mudando de ritmo, "HeartBreakCity" é outra balada, mas esta é inteiramente no piano.

Uma coisa perceptível: a cada música mais forte e agitada, vem duas baladas - "Body Shop" completou a cota. Quer a prova? Ela retorna com tudo em "Holy Water", que soa muito como os trabalhos dela no início desde século. Uma pena que o potencial do disco seja jogado fora com duas canções finais ("Inside Out" e "Wash All Over Me”) que mais parecem feitas para trilha sonora dos filmes de princesa da Disney.

Um fato: Madonna pode dançar muito, mas sua voz já está no limite. Tantas baladas e poucas canções dançantes dão a indicação de que a cantora, 56, já visa uma mudança em seu estilo. Ela continuará fazendo canções grudentas e dançantes? Sim, mas há um aceno aqui, isso ninguém pode mentir. No geral, é um disco irregular. O que fica para o futuro são "Living for Love" e "Unapologetic Bitch", as duas ótimas canções deste trabalho.

Tracklist: 

1 - "Living for Love"  
2 - "Devil Pray"  
3 - "Ghosttown"  
4 - "Unapologetic Bitch"  
5 - "Illuminati"  
6 - "Bitch I'm Madonna" (featuring Nicki Minaj)
7 - "Hold Tight"  
8 - "Joan of Arc"  
9 - "Iconic" (featuring Chance the Rapper e Mike Tyson)
10 - "HeartBreakCity"  
11 - "Body Shop"  
12 - "Holy Water"  
13 - "Inside Out"  
14 - "Wash All Over Me"

Nota: 2,5/5


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