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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Resenha: Tiê – Esmeraldas


“Conhecida como uma das principais cantoras da nova MPB, Tiê mantém neste novo álbum sua identidade musical, com a característica leveza e tranquilidade na voz, mas apresenta letras mais maduras, além de trazer outras influências musicais”, diz o perfil oficial da cantora no Facebook. Claro que isso vem do perfil oficial, mas foi na mosca.

Ela é mesmo uma das novas vozes dessa nova música brasileira. Não tão valorizada como deveria, Tiê vem conquistando aos poucos um novo público. E novo falo em pessoas mais velhas, porque o pessoal que já a acompanhava há alguns anos. Nesse terceiro disco, chamado Esmeraldas, a cantora aparenta ter amadurecido ainda mais.

Ao começar cantando em inglês em "Gold Fish", Tiê aparenta querer chamar atenção de outro mercado – no caso, o americano. Tudo bem fazer isso, mas, particularmente, não gosto e penso que não acrescenta em nada. A coisa muda de figura na segunda faixa. "Par de Ases" tem bom ritmo e chama atenção por sua boa melodia, entre o dançante e o indie-pop.

Às vezes, quanto menos firulas, melhor. É o que acontece na simples e muito simpática "Máquina de Lavar". É aquele tipo de canção leve, tranquila, fácil de decorar e animada para, por exemplo, enfrentar um final de dia pós-trabalho ou algo semelhante. Já "Urso" é bem comum, diferente da animada e confessional "Mínimo Maravilhoso". Se “Urso” tem muita coisa na melodia, "Mínimo Maravilhoso" tem aquela boa tocada pop.

Com toques épicos e certa influência latina, "Esmeraldas" tem uma belíssima letra e destaque para os instrumentos trabalhando bem para compor quase uma trilha sonora, bem diferente da suave e também confessional "Isqueiro Azul". Dois belos momentos. O disco estava indo muito bem até chegar em "Depois de um Dia de Sonho". Não que seja uma canção ruim, mas, em comparação com outras, é muito longa e repetitiva. Deve funcionar melhor ao vivo porque no álbum não ficou tão boa assim. Parece que a música brasileira dos anos 1970 está sendo revista por essa nova geração. E não sei se foi proposital em "Vou Atrás", porém parece que há isso. E ficou ótimo.

Quando ouvi "A Noite (La Notte)" pela primeira vez, estava lendo um texto de teor triste e foi impossível não me pegar em certos pensamentos que, às vezes, mais atrapalham do que ajudam a nossa confusa cabeça. Essa canção em particular me pegou muito, principalmente por lembrar algumas coisas que vivi. Mas também me lembrou de que a vida que tenho é ótima, cheia de alegria e felicidade. Para muitos é uma letra triste, para mim é a certeza de que, pela primeira vez, as coisas tomaram um rumo que posso chamar de tranquilo. Nem feliz, nem triste, apenas tranquilo. E isso basta.

Mais uma em que o toque pessoal deu todo um charme é "Meia Hora", outra que o apelo pop faz parte do pacote. A participação de David Byrne em "All Around You" é quase insignificante e não acrescenta muita coisa na faixa, que não surpreende. Mesmo assim é um bom encerramento.

Tiê já está mais do que pronta para fazer sucesso. Mas sucesso de verdade, lotar casas de shows e essas coisas todas. Acho uma pena que ela fique restrita a poucas pessoas. Ela merece mais e, talvez, esse trabalho de viés confessional com ar pop pode ajudá-la nisso.

Tracklist:

1 - "Gold Fish"
2 - "Par de Ases"
3 - "Máquina de Lavar"
4 - "Urso"
5 - "Mínimo Maravilhoso"
6 - "Esmeraldas"
7 - "Isqueiro Azul"
8 - "Depois de um Dia de Sonho"
9 - "Vou Atrás"
10 - "A Noite (La Notte)"
11 - "Meia Hora"
12 - "All Around You" (com David Byrne)

Nota: 4/5



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