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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

U2, iPhone e a inauguração de uma nova era no lançamento de discos


Mais de 48 horas depois do lançamento do novo disco do U2, o mundo musical não fala de outra coisa. Como uma banda desse tamanho anuncia um álbum durante a apresentação do novo iPhone da Apple e ainda dá o trabalho de graça para quem tem conta na Apple Store?

Esse passo, como disse Ricardo Alexandre em seu blog no R7, pode ser de fundamental importância no modo de consumir música em alguns anos. Mas vou além: de todas as grandes bandas, os irlandeses são os primeiros a entender o novo mercado da segunda década dos anos 2000.

Se há 14 anos, o Napster foi vilão, hoje a antiga rede de compartilhamento de arquivos é exemplo de como a mudança imposta pelo novo público consumidor teve efeitos na chamada indústria musical. Ao soltar Songs of Innocence de graça, o U2 atingiu 500 milhões de usuários. Isso mesmo, meio bilhão de pessoas tiveram acesso ao disco, muito mais do que eles teriam se lançassem pelos meios convencionais.

Quem consome música hoje é quem tem cadastro no Spotify, Rdio, Deezer, Apple Store e similares, bibliotecas musicais com um catalogo imenso. Não é mais necessário fazer downloads irregulares para ter o disco de seu músico favorito ou aquele álbum que você ouve com frequência quando está em casa. Agora é possível ter tudo isso em todos os lugares com internet.

O U2 deve ter percebido que, pelas baixas vendagens de seu último álbum, quem vai comprar Songs of Innocence são os fãs e colecionadores ávidos por versões de luxo e/ou vinil. E com o formato CD cada vez mais ultrapassado, é hora de investir em mimos cada vez melhores para satisfazer esse público, seja ele fã ou não.

As plataformas digitais estão aí, e o U2 foi o primeiro a fazer isso em um grande evento, como virou o lançamento do iPhone nos últimos anos, para divulgar suas músicas. Ao perceber que atingiria um público gigantesco, eles mostraram ao mundo que estão atentos às novidades, além de levar a bagatela de US$ 100 milhões. Com isso, aprendemos que relançar discos antigos em versões remasterizadas (alô, Iron Maiden) nem sempre é a melhor maneira de se manter atual.

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