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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Rock in Rio 2015 começa mal


No próximo ano, o Rock in Rio comemora 30 anos de existência. Entre idas e vindas, o festival teve um mérito como nenhum outro teve no Brasil: conseguiu se firmar como uma boa marca para consumo – leia-se em exibição na TV, internet, produtos e na chamada “experiência de ir ao festival”.

Pois bem, faltando quase um ano para a nova edição, a organização já tratou de anunciar duas atrações: Katy Perry e John Legend. Isso mesmo, duas atrações com um quê pop para ter a certeza de conquistar o público jovem logo de cara.

Do ponto de vista mercadológico, as escolhas são perfeitas por atrair dois tipos de público: mulheres e adolescentes. Quem assiste esse tipo de atração são mulheres e/ou adolescentes do sexo feminino, em sua maioria, e geralmente elas não vão sozinhas, carregando consigo marido/namorado/pais para a Cidade do Rock. Nessa brincadeira, são dois ingressos garantidos. Nessa brincadeira, são algumas centenas de ingressos vendidos. Bingo.

Agora, pensando em atrações pelo line-up, pensando na música, são duas atrações que não acrescentam em nada no festival. São nomes batidos, pobres, péssimos musicalmente e não fazem jus a uma edição que deveria comemorar três décadas de um festival que abriu, definitivamente, as apresentações internacionais por essas bandas.

Obviamente, eles estão pensando em dinheiro. Claro que um festival funciona assim, e será assim até o final dos tempos. Mas como tantos patrocinadores, tantas marcas investindo, tanta bebida e comida sendo vendidos, será que não era possível para pensar em outros nomes? Com tanta grana sendo injetada, privada e pública, pensar na música um pouco não seria má ideia. Parece que não há o mínimo esforço em pensar em atrações minimamente decentes.

Aposto em um festival cheio de tendas vendendo brinde, tirolesa, roda-gigante e outras coisas que geram um dinheiro absurdo em duas semanas – isso fora os ingressos, que não serão baratos. Pelo que se viu nas últimas edições, o único acerto não óbvio foi Bruce Springsteen, um dos melhores shows da história do Rock in Rio.

Caso não haja esforço da organização pelos próximos 12 meses, capaz de Metallica e Iron Maiden aparecerem de novo para delírio de quem gosta de ganhar dinheiro fácil, mas, pelo que dá para perceber, não liga picas para música.

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