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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Resenha: The Wytches - Annabel Dream Reader


Em atividade há pouco mais de três anos, o Wytches se define como próxima do Joy Division com mais guitarras e mais peso na melodia. Depois de lançar um EP no último ano, eles gravaram no primeiro disco, Annabel Dream Reader, em apenas dois dias em Londres.

"Digsaw" abre os trabalhos com um quê de jam session com tons de anarquismo, parece um Fratellis com mais peso. O ritmo diminui em "Wide at Midnight", essa uma típica canção que tem elementos que fazem sucesso – a diferença básica são os gritos, dando um ar mais punk à faixa. Punk mesmo é "Gravedweller" e é muito boa, principalmente pela distorção da guitarra, pelos gritos e pela bagunça organizada do som – é aquele tipo de música em que tudo é colocado milimetricamente no lugar para criar um tipo de atmosfera.

A distorção da guitarra aumenta ainda mais em "Fragile Male", mesmo assim, ela é inferior às anteriores. A revolta volta em "Burn Out The Bruise", em que é possível perceber que a banda ainda não encontrou um eixo e fica entre o indie e uma tentativa de soar raivosa.

"Wire Frame Mattress" começa lenta até que melhora da segunda metade em diante e embala para se virar uma faixa dançante. Ao chegar em "Beehive Queen", é impossível não perceber que banda o Wytches parece o White Stripes. As guitarras distorcidas, a voz e a bateria na sétima canção tem esse quê do trabalho da ex-banda de Meg e Jack White.

Então, vem aquele efeito de manada em que quase todos os grupos indies atuais parecem o Foster The People, e "Weights and Ties" é exatamente isso. Em "Part Time Model", vemos um grupo mais lento em uma canção interessante pelo andamento da melodia – aliás, uma das boas coisas desse disco é a banda. Daí a péssima "Summer Again" vem e estraga tudo? O motivo de colocar mais uma lenta no disco é uma coisa que nunca entenderei.

O clima demo ajeitadinha retorna na boa "Robe For Juda", em que a anarquia e os gritos do vocalista dão o tom, enquanto regular "Crying Clown" tenta colocar mais peso em um trabalho cheio de altos e baixos. "Track 13" encerra a estreia do grupo com uma canção acústica descartável.

Há um imenso problema na estreia do Wytches: a esperada irregularidade. Se em algumas faixas eles optaram por algo mais próximo do que faz sucesso hoje, em outras há um clima anárquico muito interessante. Ao juntar isso no mesmo bolo, fica claro que eles ainda não decidiram o que querem da vida. Quem sabe no próximo disco.

Tracklist:

1 - "Digsaw"
2 - "Wide at Midnight"
3 - "Gravedweller"
4 - "Fragile Male"
5 - "Burn Out The Bruise"
6 - "Wire Frame Mattress"
7 - "Beehive Queen"
8 - "Weights and Ties"
9 - "Part Time Model"
10 - "Summer Again"
11 - "Robe For Juda"
12 - "Crying Clown"
13 - "Track 13"

Nota: 2/5



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