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terça-feira, 29 de junho de 2021

Resenha: Garbage - No Gods No Masters


O Garbage é dessas bandas dos anos 1990 que não parece ter a menor pressa em fazer algo. Com uma base de fãs muito sólida e integrantes com outros trabalhos, como o também produtor Butch Vig, o grupo não lançou álbuns de forma desesperada ao longo dos anos. De 2005 para cá foram apenas quatro, contando "No Gods No Masters", o mais recente deles e o sétimo da carreira.

O primeiro álbum de inéditas em cinco anos começa com a potente "The Men Who Rule the World", faixa em que a ganância, os movimentos Black Lives Matter e Me Too são tratados. Basicamente, o primeiro, representado pelos homens brancos, tenta destruir os outros dois para seguir no controle. Como sempre nos álbuns do Garbage, a potência dos instrumentos é o primeiro destaque o trabalho perceptível ainda nos primeiros minutos.

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A segunda faixa é "The Creeps", o primeiro dos destaques do trabalho. Acelerada do começo ao fim, tem aquele refrão grudento feito para cantar junto embalado pela história da dispensa da vocalista Shirley Manson da gravadora Interscope. Mais de uma década depois, ela conseguiu juntar em palavras a frustração e a transformou em uma das melhores canções do trabalho.

Os problemas de ansiedade da vocalista são abordados abertamente na melancólica "Uncomfortably Me", momento em que os efeitos e uso de elementos mais eletrônicos tão o tom dessa balada triste e retirada dos momentos mais íntimos dela ("Spend everyday wishing my life away / Always so nervous and unsure of myself"). Mas a banda não esqueceu dos velhos momentos, representados no começo pela ótima "Wolves". É a canção feita para mostrar que eles estão em forma e não esqueceram o passado.

Essa sequência de quatro canções logo na abertura resume bem o que é "No Gods No Masters". Sem qualquer separação, é possível ouvir um grupo com tons políticos e olhando para o presente enquanto faz menções ao passado para mostrar como é possível equilibrar os dois sem abandonar um ou outro.

As temáticas das outras canções também falam de misoginia, relacionamentos secretos, vingança, machismo, protestos, esperança e acreditar nas possibilidades da vida, tudo isso embalado por uma banda sem pressa, mas atenta ao que acontece no mundo e pronta para tomar um lado, agir e fazer parte disso em um álbum dos melhores.

Tracklist:

1 - "The Men Who Rule the World"
2 - "The Creeps"
3 - "Uncomfortably Me"
4 - "Wolves"
5 - "Waiting for God"
6 - "Godhead"
7 - "Anonymous XXX"
8 - "A Woman Destroyed"
9 - "Flipping the Bird"
10 - "No Gods No Masters"
11 - "This City Will Kill You"

Avaliação: muito bom

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