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sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Morning Glory, 25: obra-prima do Oasis definiu movimento e um país


Por Javier Freitas*

Se "Definitely Maybe" é um disco sobre o sonho de estar em uma banda e ser um rockstar, "(What’s the Story) Morning Glory?" é a realização disso tudo – mesmo que com apenas um ano de diferença entre um lançamento e outro. Diferentemente dos Stone Roses, que em certa medida têm responsabilidade direta pela existência do Oasis, os Gallaghers não apenas não sucumbiram à maldição do segundo disco, mas bem como entregaram um trabalho ainda melhor que a estreia.

Que o Oasis era uma banda que não tinha medo de deixar suas influências à mostra, disso não há dúvida. Da primeira faixa à última, tudo o que inspirava Noel Gallagher está presente em "Morning Glory": Beatles, The Who, Rolling Stones, Jam, Stone Roses, T-Rex, Slade... Mas mesmo assim o álbum consegue transmitir uma sonoridade própria, característica, identificável a partir de qualquer trecho de qualquer música.

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Hoje será o dia em que você provavelmente vai ler sobre esse disco em vários lugares e certamente não faltarão menções honrosas para hits como "Wonderwall", "Don’t Look Back in Anger" e "Champagne Supernova", e com razão, mas algumas pessoas poderiam dizer que "Morning Glory" é um álbum tão bom, mas tão bom, que mais parece um Greatest Hits e, novamente, com razão.

Por alguma razão que só Noel Gallagher e Alan McGee seriam capazes de explicar, "Cast No Shadow" não virou single. Não fosse o bastante, absolutas pérolas como "Acquiesce", "Rockin’ Chair", "Talk Tonight" e "The Masterplan", esta última sendo discutivelmente a melhor canção já escrita por Noel até hoje, sequer entraram na lista final por algum motivo que foge à nossa compreensão. Se isso não for prova de que Noel Gallagher é um dos compositores mais talentosos que a Inglaterra já produziu, então eu não sei o que pode ser.

Além disso, outro fator que faz com que "Morning Glory" seja esse marco cultural que é no Reino Unido é o fato de que em 1995, a cena alternativa na ilha entregava bons discos e bandas numa profusão poucas vezes antes vista. Radiohead, Supergrass, The Verve lançaram alguns de seus melhores trabalhos neste mesmo ano e ajudaram a estabelecer o movimento conhecido como Britpop. Além do Blur, evidentemente.

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Discos para história: Definitely Maybe, do Oasis (1994)
Discos para história: (What's the Story) Morning Glory?, do Oasis (1995)

Afinal de contas, grande parte da exposição midiática que "Morning Glory" recebeu entre 1995 e 1996 se deu muito por conta da batalha com a banda liderada por Damon Albarn e "The Great Escape", aonde, no fim, o Blur ganhou a batalha dos singles quando "Country House" vendeu mais que "Roll With It", mas perdeu a guerra porque o Oasis não só vendeu mais discos, mas também fez algo que, discutivelmente até hoje o Blur nunca conseguiu: fazer sucesso na América.

Com os irmãos brigados há mais de dez anos, com incansáveis pedidos para que a banda se reúna e com "Wonderwall" prestes a ser a primeira música lançada nos anos 1990 a bater um bilhão de streams no Spotify, é possível dizer que "(What’s the Story) Morning Glory?" é hoje quase tão popular quanto era naqueles dias.



*Javier Freitas é ex-companheiro de blog no ESPN FC e segue mostrando suas beleza peculiar no Twitter.


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