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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Problemas do Tidal transformam boa ideia em algo questionável


Serviço de streaming vem apresentando mais problemas do que comodidade aos músicos

O Tidal é aquela ideia maravilhosa que tinha tudo para vingar e servir de exemplo de como os artistas montando o próprio serviço de streaming seria uma alternativa viável para o tal futuro da música, que estava tocando a campainha havia um tempão. Perto de completar três anos, a ideia encampada por Jay Z e outros grandes nomes da música mais teve problemas do que apresentou soluções ao longo desse tempo.

Primeiro: o preço afugentou muita gente. Com tantas opções por aí, como o Spotify, pouca gente optou por migrar de um serviço para o outro. Nem mesmo a exclusividade de ter material dos sócios-fundadores atraiu gente o suficiente para o Tidal. Muita gente voltou a piratear; outros simplesmente deixaram de ouvir.

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Segundo: histórias sobre fraudes nos números de assinantes e problemas na distribuição dos direitos autorais estão cada vez mais comuns nos últimos meses. O Tidal afirma pagar mais do que o Spotify em direitos, mas, segundo reportagens recentes, o serviço ainda não acumulou lucro suficiente para começar a distribuir esse dinheiro.

Terceiro: nenhum CEO dura na empresa. No fim de maio, Jeff Toig, que ocupou o mesmo posto no SoundCloud, deixou sua posição após o aporte de US$ 200 milhões (pouco mais de R$ 660 milhões) da Sprint, agora dona de 33% do Tidal. Toig foi o terceiro CEO demitido em dois anos – o substituto ainda não foi anunciado. Ou seja, temos uma grande empresa de tecnologia sem seu principal representante no mercado.

Quarto: a debandada começou. Ninguém menos do que Kayne West, segundo o 'TMZ', foi o primeiro a cair fora da sociedade. O rapper alega que o Tidal deve a ele mais de US$ 3 milhões (pouco mais de R$ 9 milhões) de um bônus em contrato não pago. West percebeu que, no momento, ele tem muito mais para oferecer ao Tidal do que ao contrário. E ainda há o fato de, assinando com todas as plataformas, seus singles e discos atingem muito mais pessoas do que com um contrato de exclusividade. Disputa deve ir à justiça em breve.

Ainda há o fato de a parceria Tidal/Sprint inflar os números dos próprios lançamentos. Como a Billboard Brasil trouxe na última quarta-feira (5), a Sprint disponibilizou o download gratuito do novo disco de Jay Z mediante um cadastro. Isso colaborou com o Certificado de Platina dado ao rapper por 1 milhão de discos vendidos/ouvidos nos serviços de streaming.

O Tidal é um bom exemplo de como ser um artista necessariamente não transforma ninguém em bom empresário. A empresa enfrenta problemas em diversas frentes e pouco apresenta em melhora. Enquanto isso, o principais concorrentes estão bem – apesar de também enfrentarem problemas – para continuarem dominantes. Talvez fosse a hora de rever alguns passos e mudar a abordagem. Caso continue assim, a debandada pode aumentar.

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