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segunda-feira, 7 de março de 2016

Livro: AC/DC – A Biografia, por Mick Wall (2014)

Capa da versão inglesa do livro (Divulgação)

Famoso biógrafo escreveu sobre a banda australiana

Nas biografias sobre o Metallica e Led Zeppelin, Mick Wall usou pensamentos baseados em relatos reais dos músicos envolvidos nas bandas para colocar o leitor dentro da cabeça deles. Ele abre mão desse recurso em AC/DC – A Biografia (Globo Livros, 456 páginas, R$ 45 em média) e opta por um formato simples: a história cronológica de uma das bandas de maior sucesso dos últimos 40 anos.

Experiente no meio musical, Wall trabalhou como jornalista e relações públicas de algumas bandas famosas e conhece bem os bastidores e tem uma rede de contatos invejável. Por isso, conseguiu depoimentos de pessoas importantes que estiveram envolvidas com o AC/DC de alguma forma. Todas têm algo em comum: foram demitidas por não se enquadrar na política da banda – os membros ou quem trabalha com eles até hoje não deram depoimentos para complementar o material.

O biógrafo retrata Malcolm Young como uma espécie de poderoso chefão a quem todos devem obediência. O único que foge um pouco da regra é o guitarrista Angus Young, irmão mais novo e astro do AC/DC. Mas só um pouco, porque, no fim das contas, a última decisão era sempre de Malcolm em qualquer assunto – do disco às turnês. Se você está dentro, precisa obedecer aos irmãos. Se está fora, não tente entrar porque eles vão te desprezar para sempre. A família vem em primeiro lugar é o esquema que os Young adotaram no grupo.

Como eles não se aposentaram, a parte final do livro está em aberta. O que surpreende realmente é a informação dada por Wall sobre um membro estar com sérios problemas de saúde. Pouco tempo depois do lançamento do livro, Malcolm Young foi aposentado forçosamente por apresentar início de demência. Lendo a biografia, fica muito mais claro o sentimento de perda, beirando a morte, quando fizeram o anúncio. Não apenas por ele estar lá desde o início, mas por ele estar com as rédeas desde sempre.

Cuidadoso com as informações e relatos, a biografia traz detalhes da vida da família Young desde a imigração da Escócia para Austrália, o sucesso de George Young, primogênito responsável por alguns dos sucessos da música pop (“Love Is in the Air” foi coescrita por ele), como ele ajudou os irmãos mais novos a alcançar o sucesso ao administrar a carreira deles no início e do declínio nos anos 1980, pouco tempo depois de dois sucessos seguidos – os álbuns Highway to Hell e Black in Black. Diferente de muitos outros livros do gênero, o autor tira as últimas páginas para fazer uma reflexão sobre a banda, o atual cenário do rock e como o AC/DC se encaixa nisso ao lançar Rock or Bust, de 2014.

O ponto em que somos apresentados a Bon Scott (1946 – 1980) é fascinante. Não só por ser bem escrito e detalhado, mas por mostrar como ele era a peça que faltava no quebra-cabeça para, finalmente, dominarem os Estados Unidos, principal objetivo de qualquer um no mundo da música. Ótimo letrista, vocalista com uma presença de palco como poucos e pessoa de boa convivência, Bon é o típico caso de sexo, drogas e rock and roll ao extremo. Mick Wall usa algumas páginas para discutir a causa da morte do vocalista, encontrado morto em um carro depois de uma noitada. Ele cruza momentos e dá nome às últimas pessoas que o viram vivo, porém ninguém comenta o assunto e tudo segue um grande mistério. O único fato concreto é a lacuna que ele deixou, nunca preenchida totalmente por Brian Johnson.

AC/DC – A Biografia tem um bom papel para quem é iniciado na banda ao mostrar as nuances, bastidores e como eles chegaram ao sucesso. Para quem não é, vale ler para conhecer um pouco mais sobre um grupo influente na música mundial. Para quem gosta de bom jornalismo, é mais um ótimo trabalho de Mick Wall para ter em casa.

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