No YouTube

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Resenha: Silva – Júpiter


Pouco mais de um ano e meio depois de Vista Pro Mar, Silva resolveu lançar um novo disco, chamado Júpiter. Nos últimos três, ele aparece cada vez mais disposto a refinar seu som para soá-lo mais acessível, mas sem perder a característica do início de sua carreira. Se o segundo disco é desafiador para qualquer um, o terceiro é como a coluna de uma casa: caso seja ruim, periga desmoronar com uma carreira promissora.

Aliado com a batida ao fundo, a melodia da faixa-título ajuda a dar um ar bem pop logo no início, mostrando que Silva está disposto a mudar algumas coisas para ampliar sua música para outros ouvintes – os da Nova Brasil 2000, por exemplo, são um público em potencial –, e isso também acontece em "Sufoco", segunda canção. Simples, ela ajuda a arrematar a primeira canção e ajuda o ouvinte a se acostumar com o ritmo do disco.

No ritmo do disco anterior, "Eu Sempre Quis" poderia ter entrado em qualquer um dos trabalhos anteriores do cantor tranquilamente, enquanto "Feliz e Ponto" lembra Criolo, Emicida e essa tentativa de misturar ritmos e gêneros, mas sempre dentro de uma mesma proposta: ficar na MPB mais verso-refrão-verso possível – aqui, o pop radiofônico deu pulos de alegria.

A instrumental "Io" abre caminho para a sem graça e bem chata "Sou Desse Jeito", a pior do disco por apelar ao que de pior há no eletrônico – uma batida ruim – com uma letra óbvia. Agora, um acerto imenso, apesar de soar inspirada em Jorge Vercilo ou em algum momento da MPB brasileira do meio da década passada, "Nas Horas" é outra de potencial imenso para agradar esse novo público que Silva procura, e "Se Ela Volta", logo na sequência, mostra como ele pode acertar ao fazer esse tipo de música, em que o refrão grudento é fundamental.

O cover de "Marina" não está perto de algumas interpretações da canção, mas é possível reconhecer a coragem em fazer uma versão própria de uma letra tão conhecida. A burocrática "Deixa Eu Te Falar" e a boa "Notícias" fecham o álbum, que peca por ser irregular, mas aponta o caminho que Silva deseja dar em sua carreira.

É natural que um músico queira que sua música atinja o maior número possível de pessoas, então uma mudança sonora era necessária, especialmente neste caso. Silva pode até não ter acertado de primeira, porém ele mostra potencial para conseguir isso em breve.

Tracklist:

1 - "Júpiter"
2 - "Sufoco"
3 - "Eu Sempre Quis"
4 - "Feliz e Ponto"
5 - "Io"
6 - "Sou Desse Jeito"
7 - "Nas Horas"
8 - "Se Ela Volta"
9 - "Marina"
10 - "Deixa Eu Te Falar"
11 - "Notícias"

Nota: 2,5/5



Veja também:
Resenha: Adele – 25
Resenha: Kurt Cobain – Montage of Heck: The Home Recordings
Resenha: Killing Joke – Pylon
Resenha: Jeff Lynne's ELO – Alone in the Universe
Resenha: Supercordas – Terceira Terra
Resenha: Billy Gibbons – Perfectamundo
Resenha: John Grant – Grey Tickles, Black Pressure

Gostou do conteúdo? Compartilhe nas redes sociais! Isso ajuda pra caramba o blog a crescer e ter a chance de produzir mais coisas bacanas.


Meu sonho é que o Music on the Run, que começou como hobby, vire uma coisa mais legal e bacana no futuro, com muito conteúdo em texto, podcast e mais coisas, porque eu acredito que dá para fazer mais e melhor com o apoio de quem lê o blog. Apoie:

Você não quer se comprometer em uma assinatura? Não tem problema, pode doar qualquer valor em reais via PagSeguro: