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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Dez discos de metal lançados em junho que merecem sua atenção (com bônus)


Por Rodrigo Carvalho 

Junho é um mês esquisito.

Além de insuportavelmente quente, quando na verdade deveria estar congelando, metade do ano já se passou e talvez você nem tenha percebido. E claro, com mais uma enxurrada de lançamentos.

Porém, em relação aos anteriores (e aos posteriores), podemos dizer que foi o mês mais “fraco” tratando-se da qualidade de tudo aquilo que chegou aos nossos ouvidos. Na verdade, talvez o mais díspar: ou os álbuns lançados eram excelentes ou simplesmente medíocres.

Então vamos lá com os que realmente não devemos deixar passar pra encerrar o primeiro semestre.

Ah sim, e considerando até junho de 2015, quais os álbuns favoritos de vocês até agora?


Author & Punisher – Melk En Honing

Tristan Shone, a mente responsável pelo Author & Punisher, não pode ser categorizado como nada que não um engenheiro de ruídos. Um sujeito que cria seus próprios mecanismos e parafernálias com o simples e ingênuo objetivo de produzir sons que seriam impossíveis de tirar de qualquer outro instrumento. Em Melk En Honing ele parece estar ainda mais em sintonia com suas criações, tornando mais inteligíveis (e até sentimentais) a cacofonia gerada pelas toneladas de equipamentos, unindo o industrial ao doom da mesma forma que estreita os limites entre o homem e a máquina.


False – Untitled

O black metal americano está tendo um ano inacreditável. As bandas não apenas têm lançado trabalhos que estão desafiando o próprio estilo, como estão gerando crias em um processo já há algum tempo. O álbum de estreia do False faz justiça a toda a expectativa criada ao seu redor: cinco faixas longuíssimas, com todos os elementos primordiais envoltos por uma imundície que duela com a beleza das melodias que assombram todo o álbum. Está tudo ali, com um algo a mais inexplicável e indefinível. Exatamente o que torna Untitled tão intrigante.


Goatsnake – Black Age Blues

O tipo de stoner doom que ouviríamos todo domingo de manhã se o inferno na verdade fosse uma cidade poeirenta no meio do deserto. Nada mal depois de 11 anos parado, Goatsnake.


God is an Astronaut – Helios / Erebus

Música instrumental é algo interessante. Talvez já tenhamos falado isso aqui, mas ela tem que atingir o ouvinte de forma muito mais completa do que os outros formatos. Ela deve transmitir sentimento apenas com a construção de suas composições e criar um cenário aberto o suficiente para cada um interpretar ao seu modo. Poucos conseguem como o God is an Astronaut, que mesmo sem grandes mudanças ainda nos carrega para o espaço e nos larga flutuando enquanto apenas observamos o universo se mover, uma sensação semelhante à de quando voamos em um sonho.


High On Fire – Luminiferous

Alienígenas, conspirações globais, ataques terroristas, ritmo alucinante e passagens imundas. De uma chapadaça combinação de stoner e sludge ao mais arrastado e delirante doom, Matt Pike provou de uma vez por todas que a sua recém-atingida sobriedade não restringiu nem um pouco sua inspiração e continua a escrever alguns dos mais desgraçados riffs do submundo do heavy metal. A fumaça por cima da obra permanece indissipável.


Milking the Goatmachine – Goatgrind

Quatro alemães com máscaras de cabra, capa de álbum com referência ao Kiss e ao Manowar, um dos melhores nomes de banda desde Eyehategod, pig squeals e um death grind como base para cantar sobre... bem... para cantar sobre cabras (e o seu maior algoz, o lobo). Pode parecer ridículo em um primeiro instante, mas a insanidade instrumental aliada à falta de pretensão e aos trocadilhos infames com clássicos na hora de batizar suas músicas tornam Goatgrind um dos mais peculiares discos extremos do ano.


Paradise Lost – The Plague Within

Um dos membros do triunvirato death doom britânico, o Paradise Lost passou por drásticas mudanças em sua sonoridade ao longo dos anos, e aos poucos parece estar retornando ao seu mórbido ponto de partida. Porém, a sua jornada ensinou duras e pesarosas lições, cicatrizes que se tornaram parte de sua própria personalidade e agora convergem tempestuosamente em The Plague Within. Tortuoso, inesperado, como se conflitantes identidades vivessem dentro de uma mente, em constante disputa sobre quem verdadeiramente está no poder, que de alguma forma traz conforto. Caótico, mas ainda assim é um conforto.


Rosetta – Quintessential Ephemera

A violência inesperada com que The Anaesthete acertou o cenário alternativo americano em 2013 foi o fator determinante para garantir a existência do Rosetta. O híbrido complexo e impactante entre drone, sludge, psicodelia e hardcore trouxeram uma nova interpretação aos ensinamentos de Neurosis, Isis e Cult of Luna. Quintessential Ephemera vai além: um estudo musical sobre o revés da tecnologia atual, uma reflexão sobre o paradoxo da distância entre as pessoas montada em uma música igualmente dinâmica, mas muito mais contemplativa e condizente com a não tão positiva conclusão que se chega. Já parou para pensar se você teria coragem para dizer pessoalmente tudo o que escreve por trás de uma tela? Heim? Ah sim. Foi o que imaginamos.


The Night Flight Orchestra – Skyline Whispers

Houve uma época em que usar ombreiras, poodles felpudos na cabeça, calças bocas de sino beges e óculos de veneziana eram perfeitamente normais. Era bonito até. E é essa época que o The Night Flight Orchestra continua a reverenciar em Skyline Whispers, contando uma 'galhofíssima' história sobre a vida noturna, discotecas, teclados frenéticos, garotas exóticas e algumas drogas aqui e ali. Tão boa que é capaz de imaginar Björn Strid como personagem de um daqueles filmes que já eram velhos quando passavam no Cinema em Casa.


Vattnet Viskar – Settler

Uma astronauta sorridente flutuando não representa apenas uma homenagem à equipe do SS Challenger ou mais um desafio aos paradigmas do black metal, mas também uma metáfora brutal que serve de guia em cada uma das faixas de Settler. Em um momento você está no auge da sua vida, flutuando sobre todas as suas conquistas, e no segundo seguinte tudo se foi. Uma relação abrupta e incontrolável, assim como a sonoridade apresentada pelos americanos em seu segundo trabalho, um imensurável passo desde seu debut que amplia ainda mais o panorama do estilo.


E peraí, ainda temos os discos bônus:

August Burns Red – Found In Far Away Places

Poucas bandas de metalcore ainda conseguem surpreender. O August Burns Red é um dos poucos sobreviventes (ainda em ascensão) de uma promissora geração.

Demon Lung – A Dracula

Um álbum de doom inspirado em um filme de terror mexicano da década de 1970, sobre duas órfãs que liberam uma força demoníaca em um convento? Soa perfeito.

(aliás, trata-se do filme Alucarda, do diretor Juan López Moctezuma – também indicadíssimo, claro)

Gorgoroth – Instinctus Bestialis

O ano está tão favorável ao black metal que até o Gorgoroth lançou um bom álbum. Talvez o seu melhor.

KEN Mode – Success

O KEN Mode não está nem aí. O noise rock dos canadenses é uma freada ácida tão absurda que torna a dor de bater o nariz no painel extremamente suportável.

To/Die/For – Cult

Um dos últimos remanescentes da vasta prole que o Sentenced gerou, o To/Die/For finalmente retorna aos bons tempos do gothic metal finlandês.


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