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terça-feira, 31 de março de 2015

Dez discos de metal lançados em fevereiro que valem sua atenção



Algumas observações antes de começarmos:

- Me confundi nas batatinhas (e nessa terra infinita de datas e mais datas de lançamentos de discos) e acabei deixando passar um álbum bem interessante: Secret Youth, do Callisto, na realidade foi lançado em 30 de janeiro, e não em fevereiro, como eu imaginava;

- No mesmo caso, só que invertido, tinha certeza de que Hyklere, novo trabalho do Dunderbeist era deste mês, sendo que na verdade é de março – um mês terrivelmente mais concorrido. Em ambos os casos, sugiro muito que dêem uma conferida nos dois;

- O Solefald entraria fácil aqui na lista, mas o Giovanni já escreveu de forma mais do que perfeita sobre World Metal – Kosmopolis Sud, e concordo totalmente com o veredicto sobre o álbum: sério candidato a entrar nas listas do fim de 2015;

Bem, por enquanto é isso. Vamos lá.



Se a hipsterização do Deafheaven com o Sunbather teve um efeito positivo, foi de atrair a atenção de todo um público para a música extrema, em especial às suas manifestações mais etéreas. O blackgaze (ou post black metal ou qualquer vertente que vocês queiram criar) de repente não apenas ficou em evidência, como trouxe para a superfície bandas que antes estavam condenadas injustamente ao abismo de nichos mais do que específicos. Com cinco álbuns em cinco anos, raros são outros que atingiram uma fórmula tão coerente, emotiva e reflexiva quanto os holandeses do An Autumn For Crippled Children. The Long Goodbye parece fechar um ciclo, e está impressionantemente distante em relação aos seus congêneres.



Dizem que hardcore deve ser ruidoso, desenfreado, incômodo, violento, básico. Mas acima de tudo, deve transmitir alguma emoção, por mais positiva ou negativa que ela possa ser. When People Grow, People Go não contém traços de experimentações ou alguma tentativa de revolucionar o estilo. Mas tem uma raiva e um desespero que parecem transportar diretamente para a mente de pessoas eternamente condenadas a viverem presas em um cenário cinzento. Emoções extremamente sinceros.



Parece que essa ideia de manter a sua banda anônima virou uma modinha, principalmente no meio da música extrema. Porém, tudo se torna irrelevante quando a banda faz de seu disco de estreia uma turbulência ininterrupta de 27 minutos de um híbrido seco e mórbido entre death metal, grindcore, black metal e doom. Como uma curta metragem controversa, o que vemos aqui é o potencial de se tornar o próximo grande clássico inesperado.



Entardecer nublado. Aquela garoa fina caindo. A energia caiu e não tem nada de interessante pra fazer lá fora. Este é um cenário ideal para Sistere, disco de estreia da banda holandesa Izah. Um trabalho sem pressa, composto por quatro contos sobre a vida em si, que oscilam e apresentam uma variedade infinita de emoções ao longo de mais de 72 minutos de união perfeita entre os mais atmosféricos sludge e post hardcore.


Steven Wilson - Hand. Cannot. Erase*.

Um dos artistas mais prolíficos do rock progressivo atual, talvez Steven Wilson não tenha feito de Hand. Cannot. Erase. um disco de heavy metal, exatamente. Muito mais próximo das encarnações mais modernas e atmosféricas do prog, e menos refém da virtuosa do jazz, o inglês levanta profundas questões em seu trabalho - algo que talvez esteja em doses menores que o ideal nos campos mais pesados da música. Questões que todos deveríamos nos perguntar eventualmente.

*Não está disponível no Spotify.



O nome denuncia o estilo da banda. A capa nos permite imaginar quais suas inclinações. E talvez por isso, esses gregos podem não estar recebendo a atenção que merecem - o que temos aqui é um dos melhores resultados da união entre stoner e progressivo desde o Anciients e o Baroness. Mais uma cria do Mastodon que deixa o ninho e consegue ir muito além.



O stoner se manifesta de inúmeras formas. Pode ser direto e baseado (hehe) em riffs daqueles bem cadenciados e doutrinados por Tony Iommi, pode ser arrastado e desesperado se combinado com o doom, imundo quando enveredado pelo mergulho lamacento no sludge, ou psicodélico depois do consumo de certos fungos lisérgicos. Esse trio ucraniano já passou por todas as faces, em maior ou menor intensidade, e parecem ter atingido o equilíbrio chapado em The Harvest: uma viagem de fortes apelos e uma intensidade de odores por vários lugares sem bordas definidas. 



Para alguns, o The Agonist é hoje apenas a "ex-banda da nova vocalista do Arch Enemy". Superficialidade a parte, podemos dizer que hoje em dia eles estão entre os poucos grupos canadenses a atravessar a fronteira com sucesso, e talvez Eye of Providence seja o próximo passo natural nessa trilha. A entrada de Vicky Psarakis parece ter estimulado os sujeitos a investirem em uma sonoridade mais simplificada e melódica em relação as intervenções semi-prog do álbum anterior, Prisoners. Melhor? Pior? Sem provocação barata, mas é mais interessante que o recente Arch Enemy, ô se é.



Pode o sludge ser pop com dignidade? Sim, é possível.



Considere a polirritmia e os timbres gravíssimos do Meshuggah. Inclua uma atmosfera futurística, carregada de efeitos eletrônicos em uma ambientação quase flutuante. Uma combinação que torna natural a substituição dos urros abissais de Jens Kidman pela voz limpa ao mesmo tempo robótica e melódica de Asger Mygind. O metal progressivo parece estar finalmente passando por uma transformação real.

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