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segunda-feira, 2 de março de 2015

Dez álbuns de metal lançados em janeiro que valem sua atenção


Por Rodrigo Carvalho

Fato perceptível em janeiro de 2015: ele começou de forma descontrolada. Um caos de lançamentos desenfreados já nos primeiros dias do ano, inúmeros álbuns dos mais diversos locais do mundo, dos mais variados estilos. E isso é ruim? Claro que não! Ainda mais pela qualidade de boa parte deles.

Nesse mês, se acompanharmos as listas dos discos, é possível perceber uma tendência intrigante de muitas (muitas mesmo) bandas de death metal e power metal com novos trabalhos, principalmente no underground. Poucas com algo de fato revolucionário, mas extremamente honestas, e deixando uma questão se isso continuará prevalecendo ao longo do ano ou as demais vertentes despontarão. 

Acompanhemos. E por enquanto, fiquemos com alguns dos mais interessantes álbuns já entregues.

Clique no título de cada álbum para ouvir o trabalho na íntegra no Spotify.



Eventualmente, estar em sua zona de conforto é o suficiente para o trabalho render, a criatividade aparecer e a inspiração ser a mais sincera possível. E os suecos parecem ter tomado consciência disso ao explorarem novamente toda a variada e complexa gama de influências da música setentista, com referências que vão da psicodelia ao proto-heavy metal, tendo como elos de ligação o rock progressivo em sua forma mais clássica e dinâmica. Quem estiver precisando retomar a confiança no rock progressivo, o Beardfish é a melhor das opções.



Os bardos alemães reúnem o mundo ao redor de uma fogueira para contar o novo capítulo de sua história, uma trama complexa de política e dimensões paralelas conectadas, onde fantasia e ficção científica não têm limiares definidos, e servem de pano de fundo para manter a chama do power metal ainda acesa, ardendo de forma surpreendente como poucas vezes se viu nos últimos anos.



Uma cambada de ingleses branquelos que se aventura pelas pedregosas e frágeis combinações entre hip hop, post-hardcore, dubstep, punk e todas aquelas músicas eletrônicas que geralmente não sabemos diferenciar entre uma e outra. Essa poderia ser uma definição simplista do Enter Shikari, mas a criatividade desses quatro sujeitos vai muito além, e a cada trabalho trabalham de formas diferentes, catastroficamente complexas mas sempre carregados de melodias fáceis. The Mindsweep é o seu ápice, sem a menor sombra de dúvida, o tênue equilíbrio entre o acessível e o experimental.



Invariavelmente, o mundo comparará o Lord Dying com suas influências mais claras e identificáveis: Crowbar, High on Fire, Mastodon, The Obsessed, Corrosion of Conformity. Verdade seja dita, a sujeira ignorante que o quarteto de Portland arremessa em nossas caras em formato de toneladas de riffs deformados e imundos é sim um resquício do sludge, doom e hardcore de seus progenitores. Mas ao mesmo tempo caminha por linhas tortuosas dentro de sua proposta relativamente estreita, em uma das mais sinceras pancadarias do lamaçal americano atual.



A batalha está perdida. O inimigo número um da família americana abraçou ao longo dos últimos anos cada um da geração perdida, e ascendeu ao seu próprio império. Apesar das controvérsias e decisões questionáveis, Marilyn Manson agora reina supremo, e não é difícil imaginá-lo sentado sobre um monólito branco, comandando com mais força do que nunca uma nova era grotesca, com as perturbadoras faixas presentes em The Pale Emperor.



A humanidade pode ser decepcionante, na maior parte do tempo. Mas também pode ser impressionante, principalmente quando todas as suas falhas como espécie são condensadas na mais torturante, desenfreada e cataclísmica coleção de composições. Seja nas letras ácidas e críticas sobre as atrocidades do ser humano (principalmente em relação a outro ser humano) ou no esmerilhar instrumental do híbrido de grindcore com inúmeras e inesperadas nuances que o Napalm Death apresenta. Apex Predator – Easy Meat eleva a brutalidade a um novo patamar, com os patriarcas de todo um estilo agregando ainda mais elementos e redefinindo a violência de sua música. Uma violência que merecemos por cada um de nossos erros.


Periphery – Juggernaut: Alpha / Juggernaut: Omega

O djent seria a promissora cria do heavy metal que o carregaria para o novo milênio, o futuro do estilo. Não foi. Mas foi apenas depois de sua (suposta) ascensão e queda, que recebemos a obra definitiva do estilo: as duas partes de Juggernaut, sim, têm potencial para serem consideradas o próximo passo da evolução. Sem a menor dúvida, o melhor álbum do ano até o momento.



Se há uma definição de injustiça no meio musical, uma delas é o que ocorre com o Subterranean Masquerade, projeto do guitarrista israelense Tomer Pink, acompanhado por Paul Kuhr (do Novembers Doom), explorando novos caminhos, completamente voltados ao prog metal melódico e sentimental, sem abusos técnicos. Agora contando também com Kjetil Nordhus (Green Carnation, Tristania) e Matan Shmuely (Orphaned Land), o grupo parece ter deixado um pouco as incursões no jazz para deixar em evidência as tradições musicais do Oriente em The Great Bazaar. Um álbum riquíssimo e de tantos detalhes que podem passar despercebidos, mas que não pode ser condenado ao esquecimento.



Provavelmente não exatamente a música mais revolucionária feita pela nova geração do heavy metal britânico, mas há uma eficiência e uma regularidade que poucos são capazes de manter ao longo de uma discografia. Una o thrash metalcore do Trivium com o groove atmosférico do Gojira, e estaremos diante do soturno e denso Dormant Heart, o álbum que contém “Leech”, a faixa que assombrará sua mente por todo o resto do ano.



Prestando reverência ao rei diamante e seus asseclas ao mesmo tempo em que faz parte de um clã dos mais sombrios calabouços e de intenções controversas, os suecos do Trial não se limitam a reviver uma época primordial, mas utilizam essa herança como uma forma de tentar unir certos aspectos que pareceram distantes na época. Vessel é uma amálgama das origens do heavy metal com sua ascendência folk e o rastejar do doom, uma obra que se sobressai entre as tentativas frustradas de ressurreição do estilo no novo milênio.

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