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quinta-feira, 7 de maio de 2015

Resenha: Bill Laurance - Swift


Por Gabriel Carvalho

Bill Laurance é um pianista britânico, mais conhecido por ser um dos integrantes do Snarky Puppy – desde o início da banda, diga-se. No currículo, Laurance possui colaborações com Chris Potter e com o trio Morcheeba, só para ficarmos em dois exemplos de artistas conhecidos. E talvez essa pluralidade de gêneros – afinal, os nomes citados acima possuem estilos totalmente diferentes – ajude a explicar a abordagem do pianista em relação às próprias músicas.

Em 2014, Laurance lançou Flint, disco de estreia na carreira solo. Na época do lançamento, o músico disse que a intenção era “quebrar barreiras entre os gêneros”. E as canções daquele disco realmente caminham neste sentido, apresentando influências de jazz, música clássica, hip-hop e eletrônica. Recentemente, o pianista apresentou Swift, o segundo álbum solo, e o experimentalismo parece ter atingido outros níveis.

“Prologue: Fjords”, primeira faixa do registro, começa com uma melodia relaxante, dominada pela música clássica, depois apresenta um trecho vocal influenciado pela música eletrônica e da metade para o final a bateria intrincada de Robert “Sput” Searight (companheiro de Laurance no Snarky Puppy) toma conta da faixa. Uma mistura que pode soar esquisita na descrição, mas que funciona bem e mostra logo de cara ao ouvinte o que ele deve esperar do disco.

“December in New York” é dominada pelo pianista de ponta a ponta, mostrando que o background de música clássica exerce forte influência no estilo de Laurance. Um belo trabalho de piano em uma faixa que nos leva a imaginar um passeio pelo Central Park em um dia de inverno. A faixa-título mistura piano e doses interessantes de dubstep. No meio da canção, Bill toca com um Seaboard, teclado que vem ganhando a atenção de músicos e é considerado por alguns a evolução do piano.

“U-Bahn” também traz elementos da música eletrônica (especialmente nos vocais). No entanto, é o trecho com influências de jazz que chama mais a atenção nesta faixa, com o baixo (tocado no disco todo por Michael League, líder do Snarky Puppy – que produziu o disco junto com o pianista) e bateria sendo os responsáveis pelo groove e pela base para Laurance executar mais um solo de piano com sensibilidade e precisão, fazendo desta a melhor faixa do disco. “The Rush”, com mais um excelente trabalho de percussão de Searight, também tem um groove que chama a atenção do ouvinte: começa só com a bateria, ganha piano e baixo e depois vira música eletrônica, com a adição do quarteto de cordas, para terminar com o piano dominando as ações. Uma faixa que quase briga com a anterior pelo posto de melhor do disco.

“Denmark Hill” é delicada na melodia e no modo como os instrumentos são tocados. Muita influência de jazz e música clássica em uma faixa intimista e muito interessante. “Red Sand” apresenta influências de sons africanos com um toque “modernizado”, saindo do intimismo da faixa anterior – aqui, a melodia, as progressões de acordes e transições, além do claro entrosamento entre Laurance, League e Searight, são detalhes que merecem destaque. A dobradinha “The Real One” e “Mr. Elevator” é o momento em que o jazz e a eletrônica se fundem. Destaque para a segunda integrante da dobradinha, repleta de efeitos e camadas sonoras deveras interessantes.

“One Time” combina o trabalho de piano, das cordas e da percussão em mais uma faixa intimista. Talvez esta seja a faixa em que o pianista tenha atingido com precisão a ideia de quebrar barreiras entre os gêneros, pois é difícil dizer em que estilo esta canção se encaixa. “The Isles” fecha o álbum com um excelente trabalho de piano e cordas, seguidos por um longo silêncio e, por fim, um trecho de voz cheia de efeitos eletrônicos que talvez não precisasse estar ali.

É possível afirmar que Bill Laurance se arriscou muito mais em Swift, um disco complexo e que exige atenção de quem está ouvindo para ser apreciado em sua plenitude. Se, assim como o músico, o ouvinte alimentar o desejo de quebrar barreiras entre os gêneros musicais, este disco se tornará uma experiência bastante agradável.

Tracklist:

1 – “Prologue: Fjords”
2 – “December in New York”
3 – “Swift”
4 – “U-Bahn”
5 – “The Rush”
6 – “Denmark Hill”
7 – “Red Sand”
8 – “The Real One”
9 – “Mr. Elevator”
10 – “One Time”
11 – “The Isles”

Nota: 4/5




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