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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Resenha: Mumford and Sons – Wilder Mind


Todo mundo conheceu o Mumford and Sons como o grupo inglês que fazia música folk, acústica e/ou similares. Não foi difícil vê-lo arrebanhando uma base de fãs muito forte e numerosa em seis anos de carreira, até então com dois discos lançados. Para Wilder Mind, Marcus Mumford queria uma coisa nova: chamou James Ford para produzir e resolveu inserir guitarras, algo inédito na discografia deles.

Então não deixa de ser uma surpresa o início. Em "Tompkins Square Park", a audição começa com um riff de guitarra cheio de efeito, daí a bateria chega e, pouco tempo depois, aparece o vocal. Ela casa exatamente com o pop atual: nem é veloz, nem lenta – fica exatamente no meio. Colada na primeira faixa, vem "Believe", uma balada à Coldplay das antigas que é muito chata por quase rimar “amor” com “flor”.

"The Wolf" traz um peso diferente à discografia do grupo de maneira geral. No início, acostumar é difícil porque é muito diferente do habitual, mas até que ela desce bem, diferente da faixa-título. Ela tão genérica que deveria vir com a foto do dono da Ultrafarma ao lado dela. E o tom épico-sério-homem-crescido de "Just Smoke"? Sinceramente, poderia ter ficado de fora.

Caso "Monster" fosse um prato de comida, seria daqueles insossos e sem graça por não apresentar nada de, pelo menos, diferente ou minimamente ousado, e o mesmo acontece em "Snake Eyes". Parece que as duas entraram para completar um álbum, porque elas não têm nada mais do que as outras. Ao contrário, são bem chatas. Não sei se faria muita diferença, mas "Broad-Shouldered Beasts" tem cara de funcionar melhor só no violão do que com piano, bateria emulando U2 e os outros elementos.

Por incrível que possa parecer, o trabalho engata a segunda marcha na parte final. Primeiro temos a boa "Cold Arms", uma balada no violão, exatamente como nos acostumamos a ouvir o Mumford and Sons. Depois vem "Ditmas", um pop animado e simples em que a banda consegue trabalhar bem a melodia e o refrão. O ritmo começa bem lento em "Only Love"... E ainda bem que tudo muda e a canção ganha velocidade e força. Mais uma vez o tom épico aparece, desta vez em "Hot Gates", e acaba sendo um encerramento um pouco broxante para o registro.

Parece que faltou acertar o tom do novo álbum, porque ele começa bem e cai de forma vertiginosa. Outra coisa, as letras estão muito genéricas e ruins, e soa como algo preguiçoso. E tudo melhora como mágica na parte final, nem parece a mesma banda do meio. Se eles desejam mesmo mudar e seguir esse caminho mais elétrico, seria bom ter um pouco mais de cuidado no todo. Três ou quatro músicas boas não seguram um disco inteiro.

Tracklist:

1 - "Tompkins Square Park"
2 - "Believe"
3 - "The Wolf"
4 - "Wilder Mind"
5 - "Just Smoke"
6 - "Monster"
7 - "Snake Eyes"
8 - "Broad-Shouldered Beasts"
9 - "Cold Arms"
10 - "Ditmas"
11 - "Only Love"
12 - "Hot Gates"

Nota: 2/5


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