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sábado, 12 de outubro de 2013

Discos para história: Synchronicity, do Police (1983)


A 20ª edição do Discos para história fala do quinto e último disco de estúdio do Police, chamado Synchronicity. Andy Summers, Stewart Copeland e Sting ainda não tinham um grande sucesso mundial, mas isso viria neste trabalho e seriam consagrados como a maior banda de rock do mundo daquele ano e uma das maiores da história.

História do disco

Depois do sucesso do disco Ghost in the Machine, o grupo, já desgastado pelas brigas entre o guitarrista Andy Summers, o baterista Stewart Copeland e o baixista e principal compositor Sting, resolveu tirar o ano de 1982 de folga do Police. Neste meio tempo, todos eles trabalharam em projetos solos.

Sting se aventurou como ator, atuando em dois filmes, e como artista solo – carreira em que já tinha certo prestigio desde o final dos anos 1970; Summers gravou seu primeiro LP em parceria com Robert Friip, chamado I Advance Masked; no início de 1983, Copeland colaborou na primeira de muitas trilhas sonoras de filmes. Sua estreia foi em O Selvagem da Motocicleta, de Francis Ford Copola, depois ele também colaborou em Duna, de David Lynch.


No final de 1982, a banda se reuniu novamente para traçar os planos do novo trabalho. E um dos problemas da banda era administrar o ego de Sting, maior do que o Everest naqueles dias, e isso irritava profundamente Copeland, cofundador da banda ao lado do baixista. A relação entre os dois acabaria de vez naquele ano, sendo retomada apenas 25 anos depois – na turnê de comemoração dos 30 anos do Police, talvez um dos maiores retornos de todos os tempos na música.

Isso interferiu bastante no processo de gravação de Synchronicity, pois eles mal se falavam, resultando na gravação das partes de cada um em salas separadas. Mas, de acordo com a versão do produtor Hugh Padgham, a decisão de fazer isso foi para tirar o melhor de cada instrumento e de cada músico.

Mesmo assim, o pau quebrou em um dos dias de gravação. Irritados e no limite emocional, Copeland e Sting trocaram socos durante a gravação de "Every Breath You Take". Cansado de administrar essa guerra de egos, Padgham acabou pedindo demissão logo após a briga entre os dois, mas voltou atrás apenas para terminar a produção.

A mudança de sonoridade foi o ponto chave do novo trabalho. Colocando um pouco de lado a influência do reggae, base dos discos anteriores, o álbum novo ganhou mais sintetizadores e mais texturas, flertando um pouco com o início da carreira do baterista da banda no rock progressivo. O quinto disco do Police também ganhou contornos de pop, e foi por isso que conseguiu atingir um público maior.

O nome do álbum veio de Sting. Fã de Arthur Koestler, ele estava lendo um livro chamado As Raízes da Coincidência, que cita a Teoria da Sincronicidade, de Carl Jung, algo que chamou a atenção do compositor. Já a capa mostra o baixista lendo um livro da Jung – o efeito da capa é a visão de sincronicidade feita pela banda, aliado ao fato de que eles estão separados até mesmo nas fotos. Ao todo, existem 36 versões diferentes da capa, sendo a foto que ilustra este post a mais comum.

Synchronicity foi o primeiro a bater Thriller, de Michael Jackson, das paradas nos Estados Unidos. No Reino Unido, o último álbum de estúdio do Police foi para o primeiro desde o lançamento. Seis meses depois, o trabalho levaria prêmios de Melhor Álbum de Rock e Melhor Performance de Rock e Pop no Grammy, dominando a premiação.



Resenha de Synchronicity

Primeira faixa, “Synchronicity I” começa falando de algumas das teorias de Carl Jung sobre inconsciente coletivo, uma das adorações de Sting à época. O baixo bem marcado dá o tom da canção, muito bem colocado com a bateria e camadas e mais camadas de percussão inseridas por Stewart Copeland.

Já “Walking in Your Footsteps” fala de dinossauros, uma clara analogia entre pessoas e seus problemas. A melodia é preenchida com sintetizadores, mais percussão e efeitos, mostrando um pouco a mudança de sonoridade da banda em comparação com os trabalhos anteriores, enquanto “Oh My God” parece uma sobra de estúdio de algum dos discos anteriores – e conta com um belo solo de saxofone de Sting.



Chamada de “muito louca” por Sting, "Mother" foi composta por Andy Summers e é muito diferente de qualquer coisa feita pela banda, mas é muito parecida com o primeiro disco do guitarrista fora do Police. Ela tem um quê assustador, além de ser mais gritada do que cantada. Outra música que não foi feita pelo baixista e entrou é “Miss Gradenko”, de Copeland, um romance no tempo do comunismo. A faixa que mostra claramente de quem é influência do reggae no grupo.

Um dos grandes sucessos do Police, "Synchronicity II" retorna ao tema proposto por Jung e fala sobre os problemas de um homem de família, cuja vida em casa e no trabalho beira a depressão. O uso dos metais nessa canção é particularmente interessante, enquanto ela vai crescendo até a parte final, e a guitarra está muito bem inserida dentro do contexto para encerrar o lado A do álbum.



Na sequência, e abrindo o lado B, vem o maior sucesso da banda: “Every Breath You Take” nasceu em alguns minutos logo após um sonho de Sting. Vivendo uma crise emocional por conta da recente separação, o compositor estava na fase de fazer músicas tristes. Foi na gravação dessa canção que o Police decidiu encerrar suas atividades pela primeira vez, mas um acordo entre os três e o empresário acabou cancelando isso.

Como cada membro da banda gravou sua parte separadamente, nenhum dos membros da banda acompanhou de perto o que o outro estava fazendo. Ou seja, não só a faixa, mas o disco inteiro foi gravado mais na base do instinto de cada músico, com a ajuda do produtor, do que com orientações entre eles. O riff, a bateria bem marcada e o órgão combinaram brilhantemente.



Logo depois vem a segunda canção mais triste escrita por Sting: “King of Pain”, também feita logo após o cantor deixar a mulher, é cheia de dor e angústia. A guitarra chorando é um clichê, mas, especialmente aqui, funciona muito bem. “Wrapped Around Your Finger” é em ritmo de história e cheia de referências da mitologia, e ela é leve e tranquila, e encerra a trilogia de canções inspiradas pelo término do casamento do compositor.

Baseada no conto O Céu Que Nos Protege, de Paul Bowles, “Tea in the Sahara” é jazz misterioso sobre um homem que deseja ter seu último pedido realizado antes de morrer. O álbum é encerrado aqui na versão original, mas, posteriormente, “Murder by Numbers” foi incluída. A última faixa fala sobre o poder da sociedade na construção de um serial killer em uma música bem suave.

Apesar das brigas e da confusão durante as gravações, Synchronicity é, até hoje, o disco mais vendido do Police. Depois da turnê, o grupo implodiria de vez e encerraria sua trajetória na música, mas deixaria uma marca incomparável no quesito mistura de ritmos e influência. Andy Summers, Stewart Copeland e Sting provaram que era possível misturar rock, reggae e new wave para fazer canções incríveis.



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