sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Discos para história: Temple of the Dog, do Temple of the Dog (1991)

A 12ª edição do Discos para História conta como foi feito e produzido o álbum homônimo do Temple of the Dog, supergrupo de Seattle formado pelo que viria a ser o Pearl Jam, com Eddie Vedder, Jeff Ament, Mike McCready e Stone Gossard, e o já formado Soundgarden, com Chris Cornell e Matt Cameron – hoje, Cameron é baterista do Soundgarden e do Pearl Jam.

História do disco

A formação do supergrupo começa de uma maneira muito triste. Andy Wood, carismático vocalista do Mother Love Bone, era viciado em drogas e, em uma dessas viagens sem volta, acabou tendo uma overdose e ficou alguns dias internado no hospital para que amigos e parentes se despedissem antes de os aparelhos serem desligados.

Chris Cornell ficou muito abalado com a perda e escreveu duas músicas: “Reach Down” e “Say Hello 2 Heaven”, composições que eram muito diferentes do que o Soundgarden, sua banda principal, fazia. E essas duas canções foram o impulso para a ideia de homenagear o amigo.

Logo que teve a ideia, Cornell tratou de chamar Stone Gossard e Jeff Ament, companheiros de Wood no Mother Love Bone, para trabalharem nas canções. Todos estavam arrasados emocionalmente, então isso seria uma boa válvula de escape para os três, que ganharam as companhias de Mike McCready, virtuoso e talentoso guitarrista, do baterista Matt Cameron, convidado por Cornell, e Eddie Vedder – vindo de San Diego, Califórnia, Vedder enviou uma fita e logo foi convidado para ser o vocalista do Mookie Blaylock, que logo viraria Pearl Jam.


Com as demos em mãos e trabalhando nisso, os cinco divergiram na ideia de lançar um single prévio do disco – ideia rechaçada e considerada “estúpida” por Cornell, que demonstrou, logo de cara, favorável ao lançamento de um EP ou um disco. Como era mais próximo de Wood e era o principal compositor, a ideia do vocalista superou às demais, e o álbum foi gravado em 15 dias e produzido pelos seis.

Não havia pressão da gravadora para o lançamento, então tudo ocorreu no tempo em que os seis trabalhavam juntos nas faixas e na gravação. Foi nesse período que todos descobriram o potencial de Vedder nos vocais. Com apenas apresentações ao vivo no currículo, o jovem cantor ainda era questionado pelo seu jeito tímido e introspectivo dentro da banda – o que era normal, já que ele era o único que não havia se desenvolvido dentro da cena de Seattle. Foi fazendo a segunda voz em “Hunger Strike” que ele provou que tinha potencial e capacidade para ser muito mais do que mostrava aos amigos próximos.

O nome Temple of the Dog surgiu a partir de uma canção do Mother Love Bone, composta por Wood, chamada “Man Of Golden Words” (I want to show you something, like joy inside my heart/Seems I've been living in the temple of the dog/Where would I live if I were a man of golden words?/Or would I live at all?). Não existiria melhor homenagem do que usar uma canção para nomear o grupo.

Lançado em 16 de abril de 1991, o disco vendeu 70 mil cópias no primeiro mês e foi muito elogiado pela crítica, e foi muito bem recebido pelo público. Mas o álbum só viria a estourar nas paradas no ano seguinte, graças ao lançamento dos discos do Soundgarden, Badmotorfinger, e do Pearl Jam, Ten. Então a A&M Records bancou a gravação do clipe de “Hunger Strike”, que impulsionou ainda mais a carreira das duas bandas.

O Temple of the Dog só fez um set longo em toda sua história: foi em 13 de novembro de 1991, sem Eddie Vedder. No mais, o grupo só se reuniu em momentos esporádicos, como Lollapalooza-93, arrecadação de eventos e comemorações. A última vez foi em 2011, no aniversário de 20 anos da formação do Pearl Jam, em que Cornell e o Pearl Jam se uniram para tocar três músicas (“Say Hello 2 Heaven”, “Reach Down”, e “Hunger Strike”). Sempre questionados sobre um possível segundo trabalho, os seis alegam que o Temple of the Dog não nasceu para ser um grupo fixo, mas uma homenagem a um amigo querido que se foi.


Resenha de Temple of the Dog

O trabalho começa com “Say Hello 2 Heaven”, uma clara homenagem a Andy Wood, e a canção é muito diferente do que o Soundgarden fazia naquela época. Se a banda era pesada e cheia de guitarras em volume máximo, “Say Hello 2 Heaven” é uma balada suave, com poucas viradas, mas incrivelmente tocante. Em certos momentos, Chris Cornell se culpa pela morte do amigo – eles dividiram uma casa por alguns meses. Na metade, vemos, pela primeira vez, a capacidade de Mike McCready em criar solos, e especialmente esse toca no fundo da alma.

A segunda faixa é “Reach Down”, e Cornell confirmou, no documentário PJ20, que ela nasceu baseada em “solos de guitarra estilo Neil Young”. É uma canção longa, com mais de 11 minutos, e McCready, mais uma vez, mostra que é um dos melhores guitarristas dos anos 1990. E pela falta de músicas desse tipo já naquela época, “Reach Down” é incrivelmente boa e soberba.

Em “Hunger Strike” temos uma canção de protesto e nasceu da vontade de Cornell em tocar em temas que não estavam ao alcance de qualquer um, como a falta de comida às pessoas mais abastadas. Aqui, ele teve a ideia de chamar Eddie Vedder para um dueto com “a voz ideal” em uma das melhores canções dos anos 1990. Enquanto em “Pushin’ Forward Back” é mais ao estilo do Soundgarden: mais pesada e com a voz de Cornell bem ao seu estilo raivoso; Jeff Ament também mostra todo seu talento em um momento só seu. A música pende para uma levada dos anos 1970, com a guitarra crescendo à medida que a melodia evolui.

http://youtu.be/VUb450Alpps

“Call Me a Dog” é outra balada que, diferente de “Say Hello 2 Heaven”, tem o acompanhamento do piano de Rick Parashar, produtor de algumas músicas em Temple of the Dog. A letra é bem triste e profunda, como todo trabalho, e o piano dá mais melancolia. Ainda no clima de tranquilidade, “Times of Trouble” é outra bela faixa. Muito bem trabalhada, ela também toca as pessoas que sabem da relação entre Cornell e Wood, e o cantor do Soundgarden mostra que sofreu o duro golpe, mas, já que sobreviveu, fará o melhor.

Em “Wooden Jesus”, Cornell mostra aquele lado que quase toda pessoa mostra logo após a morte de uma pessoa querida: questiona Deus e dogmas, ao mesmo tempo em que tenta entender o que aconteceu e, acima de tudo, tenta aceitar a falta do amigo. Uma das características do trabalho é usar muito o talento de cada um e extrair o melhor disso no álbum, e é exatamente isso que faz toda diferença em “Your Savior”, que mantém o nível lá em cima, com os solos de guitarra e a bateria sendo um show à parte.

A penúltima faixa é “Four Walled World”, outra balada poderosa com tons poéticos em que Cornell despeja sentimento, raiva e tudo mais o que possível gritar com uma poderosa guitarra ao fundo. No encerramento, “All Night Thing” é romântica e até um pouco otimista com relação ao futuro. É bem bonito.

São composições totalmente diferentes do Soundgarden apresentou em seus primeiros anos de atividade, e elas se aproximam mais do que o Pearl Jam fez em Ten, seu álbum de estreia. Mas o que realmente importa aqui é que Chris Cornell já se mostrava um talentoso compositor e já apresentava um domínio impressionante de voz; e o que viria a ser o Pearl Jam não ficava atrás, e eles mostravam que estavam fadados ao sucesso. Porém quem surpreendeu mesmo foi Eddie Vedder. Ele mostrou, logo em sua primeira gravação, que estava pronto para ser um grande cantor. E ele também mostraria isso nas composições em um futuro não tão distante.

http://youtu.be/bTkFzfvkmCE

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