Mais do blog:

quinta-feira, 14 de março de 2013

Resenha: David Bowie – The Next Day

David Bowie's The Next Day

Existem artistas que optam por sempre produzirem material, como o Teenage Fanclub; existem outros que também não param, mas passam por uma fase ruim antes de dar a volta por cima, como Bob Dylan; e existem outros que optam por dar um tempo na carreira e retornar algum tempo depois. Esse último caso se aplica muito bem a David Bowie, que lançou seu primeiro disco de inéditas desde Reality, em 2003, neste ano.

Ele sofreu um ataque cardíaco durante uma turnê em 2004 e optou por se retirar dos palcos – muitas e muitas matérias e artigos foram escritos sobre a suposta aposentadoria. Mas o britânico de 66 anos deu motivos para acreditarem nisso: os últimos anos de Bowie têm sido de reclusão e silêncio, mais do que qualquer outro artista de sua geração.

Tudo mudou no início deste ano. Comemorando o aniversário do cantor, o staff dele anunciou de uma vez site, o lançamento de The Next Day e a primeira canção inédita. Tudo novo, recém-saído do forno. A primeira música é a que dá nome ao disco é bem agitada. É um rock bem característico de Bowie só para dar uma aquecida. Depois vem uma das boas disco, “Dirty Boys”, que bem música negra de raiz, música negra moleque, música negra sou versátil y me voy.


“The Stars (Are Out Tonight)”, a terceira do novo álbum, tem uma pegada bem anos 1970. Também é a mais radiofônica do disco inteiro e tem tudo para ficar gravada na cabeça das pessoas – tem um refrão grudento, melodia fácil e uma letra boa. É o lado pop e comercial saindo logo de cara. Também retomando suas referências de 40 anos antes, “Love is Lost” remete à trilogia de Berlim (dos discos LowHeroes [ambos de 1977] e Lodger [1979]).

O primeiro single do disco, para surpresa de muitos, foi uma balada. “Where Are You Now” é autobiográfica e pode ser dividida em duas partes: antes e depois da queda do Muro de Berlim - Bowie morou um tempo na Alemanha Ocidental enquanto estava em seu auge criativo. Não é uma das melhores, mas se você quer entender o atual estado espiritual do cantor, preste bem atenção nesta canção.

Mas o disco sobe de produção com a linda “Valentine’s Day”, com uma letra arrebatadora – dá vontade de chorar. Enquanto “If You Can See Me” relembra a fase dos anos 1990, mais dançante, porém menos eletrônica. Em “I’d Rather Be High”, ele recua mais dez anos no tempo e traz uma música mais introspectiva e de toque político, principalmente na bateria quase militar.

Entrando na parte final do disco temos “Boss of Me”, brilhante em tudo. Melodia perfeita, vocais excelentes e letra acima da média. Tudo encaixado forma a segunda melhor do disco. E Bowie chama para dançar novamente na canção seguinte, “Dancing Out In Space”. Na bem animada “How Does The Grass Grow”, precisamos destacar a potencia da voz do cantor em uma dos versos. Nem parece que ele ficou dez anos sem gravar.

Outra canção sobre guerra é “(You Will) Set The World On Fire”, que poderia estar tranquilamente em Reality ou Heathen, ambos de 2002, mesmo com as várias referências aos anos 1960. Então vem a melhor música do disco: a balada “You Feel So Lonely You Could Die”. Um registro à “Five Years”, que Ziggy Stardust ficaria orgulhoso. É uma das canções que arrepia até a alma. Para encerrar o disco de forma sombria, “Heat” lembra os melhores momentos de Scott Walker, uma das atuais inspirações do inglês.

Talvez o mais importante deste novo álbum de Bowie é ver como ele ainda continua em forma. E como é mesmo um dos caras que mais fez transformações na música – tanto de dentro para fora como o caminho inverso. The Next Day mostra que ele não esqueceu suas referências, mesmo elas sejam ele mesmo. Certamente, é um dos discos do ano.

Tracklist:

01 – “The Next Day”
02 – “Dirty Boys”
03 – “The Stars (Are Out Tonight)”
04 – “Love Is Lost”
05 – “Where Are We Now?”
06 – “Valentine’s Day”
07 – “If You Can See Me”
08 – “I’d Rather Be High”
09 – “Boss Of Me”
10 – “Dancing Out In Space”
11 – “How Does The Grass Grow”
12 – “(You Will) Set The World On Fire”
13 – “You Feel So Lonely You Could Die”
14 – “Heat”

Nota: 4/5

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=gH7dMBcg-gE]


Me siga no Twitter e no Facebook e assine o canal no YouTube. Compre livros na Amazon e fortaleça o trabalho do blog!

Saiba como ajudar o blog a continuar existindo

Gostou do post? Compartilhe nas redes sociais e indique o blog aos amigos!