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terça-feira, 13 de setembro de 2016

David Bowie e Nick Cave transformaram a morte em obras-primas


Tema foi tratado com a delicadeza e melancolia necessárias para entendermos melhor o inevitável 

Não é muito difícil um músico e/ou cantor ou cantora usar o sentimento de perda como pote principal de algum álbum. Mas, em 2016, a morte foi tema em dois dos principais trabalhos lançados até agora. David Bowie e Nick Cave deram ao mundo, cada um de um jeito, olhares diferentes sobre como o inevitável pode afetar nossas vidas de maneiras diferentes.

Bowie estava com câncer e, por mais famoso que fosse, conseguiu segurar a informação até o dia de sua morte. Três dias antes, ele disponibilizou Blackstar, um disco de jazz experimental muito além da nossa compreensão. Eu mesmo achava que era mais uma reinvenção dele na carreira, um novo caminho para uma jornada cheia de estradas, um recomeço para alguém cheio de energia. Não foi o caso.

Blackstar virou o funeral para os fãs, a última homenagem que o próprio cantor cuidou para ser lançada antes de sua morte. Era o fim do homem e o início da louvação ao mito que não reinventou a roda, mas soube usá-la melhor como nenhum outro. São oito meses de um mundo mais triste e menos inventivo sem David Bowie.

Já Cave segue vivo, mas de coração partido. Ao perder o filho Arthur, 15, que caiu de um penhasco, o cantor transformou a dor, o luto e o pós-luto em música. Não só isso, fez um álbum inteiro sobre a dor no coração de não ter mais a pessoa que ele mais amou no mundo. Do início ao fim, é quase possível se colocar no lugar de um pai que precisou enterrar o filho, quando o inverso é o mais natural.

A dureza do amanhã sem o filho transformou Skeleton Tree em um dos trabalhos mais melancólicos da carreira dele com o Bad Seeds. E mais: Cave se mostrou ao mundo sem amarras e que enterrar o filho não é nada fácil.

Duas músicas nos álbuns são fundamentais para entendê-los. De Bowie, "Lazarus" traz o verso You know, I'll be free/ Just like that bluebird, uma pedrada incrível no coração – aliás, a música autobiográfica inteira é assim. De Cave, "I Need You" pinta como a melhor música do ano, porque coloca o cantor em um estado de triste profunda, apenas pedindo que o filho respire mais uma vez.

De jeitos diferentes, Bowie e Cave explicaram ao mundo como é a expectativa pela morte e como o adeus de um filho pode mudar nossas vidas. São dois discos espetaculares que ficarão para sempre. Porque até a morte tem sua beleza, e eles mostraram isso.





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