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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

15 álbuns de metal lançados em novembro e dezembro que valem sua atenção



Acabou 2014. Foi-se. Já era. Fim. The end. Das ende. Se acabo. La fin. Owarimashita. Fine. 

Ou talvez não exatamente, pois o início de janeiro no mundo da música geralmente é o mais parado, como aquela lojinha de bugigangas na praia, que tira esses dias para botar as coisas em ordem depois do tumultuado fim de ano, aguardando pelos turistas no carnaval.

Como os lançamentos ainda estão engrenando em 2015, parece ser uma boa oportunidade para revisitar alguns álbuns que acabaram ficando pra trás ou não saíram a tempo de entrar nas listas de melhores do ano passado.

Ah sim, já que dezembro também é um mês razoavelmente escasso, os dois últimos meses foram compilados em um texto só. Lembrando que deixei alguns discos de fora, como os do Machine Head e do Soen, pois já foram bem abordados pelo Giovanni por aqui (o que abriu algumas vagas na disputada lista final).


Bloodbath – Grand Morbid Funeral

Uma velha igreja no meio de uma floresta esquecida, uma fogueira, lobos uivando, meia dúzia de encapuzados, uma mulher, um bebê e uma adaga. Pronto, você tem o cenário perfeito para um filme de terror daqueles bem baratos e previsíveis. Ou para um grande disco de death metal que não tem nenhum objetivo além de prestar sacrifícios e reverências aos seus grandes mestres. Sacrifícios e reverências que vêm em sangue. Muito sangue.


Cretin – Stranger

Marissa Martinez, o maior pesadelo de Angela Gossow e Alissa White-Gluz, na forma do mais ácido, irônico e pútrido punk/death/grindcore, daqueles sem nenhum exagero desnecessário.


Dir En Grey – Arche

Um roteiro de profundas questões psicológicas, uma trama de situações absurdas e aterrorizantes que mergulha fundo na mente do espectador e deixa cicatrizes que dificilmente se fecharão por completo um dia. Assim é a sensação deixada não apenas por Arche, mas por praticamente todos os trabalhos dos japoneses do Dir En Grey. Um inexplicável peso opressor que nada tem a ver com a parte técnica, mas sim com a forma como a incompreensão se transforma em tortura.


Fen – Carrion Skies

Carrion Skies é como um pródigo filho que percorreu o mundo com o simples objetivo de buscar o novo e retorna para casa pobre em propriedades, mas extremamente rico em experiências. Deixando escorrer o lodo do mergulho no lamaçal do post rock e do shoegaze, o Fen foca em sua herança primordial, sua própria terra e como essa atmosfera única influência diretamente em sua música, tornando-a algo grandiosa.


Ghost Brigade – IV: One With The Stars

Opeth e Amorphis saem para acampar, e desse encontro uma cria é gerada e abandonada na floresta. Agora, pense que essa cria cresceu com um pesar inacreditável sobre os ombros, que aumenta ainda mais quando ela conhece o mundo fora de seu refúgio. A violência e a melancolia do Ghost Brigade parece cada vez mais profunda e vasta, e nesse dinamismo eles encontram a sua singularidade, mesmo com referências facilmente identificáveis.


Haken – Restoration

Em determinados casos, mudanças são necessárias. Pensando bem, são essenciais. Principalmente quando a evolução força a isso. Este é exatamente o que ocorre com o Haken em Restoration – uma banda resgatando o seu passado e modificando com um olhar para o futuro, fruto das experiências e do desenvolvimento ao longo de sua jornada por águas profundas, pelo fim do mundo e pelo alto das mais altas montanhas. E a frase que encerra o EP, “Escaping the past by embracing the future”, é facilmente um dos marcos do progressivo neste milênio, uma missão que deveria ser seguida por tantos outros. 


Krokodil – Nachash

Sludge/post-hardcore feito sob medidas milimetricamente perigosas para a massa. Excelente por sinal, mesmo para aqueles que já exploraram os mais mal cheirosos pântanos do submundo musical.


Lordi – Scare Force One

A combinação de maquiagem bizarra, plataformas gigantes, hard rock simples e de melodias pegajosas, histórias em quadrinhos, conceitos hilariamente assustadores. Kiss? Não, os finlandeses do Lordi. Que convenhamos, têm lançado trabalhos muito melhores e mais memoráveis do que Starchild, Demon e seus amigos.


Ne Obliviscaris – Citadel 

Se este é um dos futuros do black metal, em que paisagens gélidas e nevoadas dividem espaço com a beleza transcendental da música clássica, a paz onipresente do post-rock e uma organização próxima a perfeição em estruturas complexas típicas do mais intrincado jazz, que a responsabilidade de carregar a bandeira do estilo seja entregue de uma vez por todas aos australianos do Ne Obliviscaris.


Old Man Gloom – The Ape of God

The Ape of God são duas obras distintas, sem qualquer relação além do nome e de terem sido lançadas pela mesma banda, no mesmo dia. Aaron Turner, Nate Newton, Caleb Scofield, Santos Montano, Luke Scarola e Kurt Ballou tornaram a ensurdecedora experiência em uma confusão sem precedentes, mas que figura entre os mais relevantes fatos e mais impressionantes álbuns do ano passado.


Primordial – Where Greater Men Have Fallen

"Épico" pode ser um conceito perigoso. Ser épico não é necessariamente obrigatório, e tampouco é sinônimo de pomposidades megalomaníacas. O Primordial é a comprovação definitiva disso novamente com Where Greater Men Have Fallen: básico, mas extremamente crítico e musicalmente profundo, marcando de forma brutal as pradarias e a herança histórica e cultural da Irlanda.


Sky Harbor – Guiding Lights

Por um tempo, o djent foi considerado a evolução do heavy metal, o seu próximo passo na evolução musical, mais técnico e profundo do que nunca. Mas como um experimento que deu terrivelmente errado, se tornou algo localizado, condenado às esferas periféricas do estilo. Contudo, alguns de seus representantes continuam insistindo, em busca da correção dos erros, procurando por uma combinação mais sólida e coerente da sua ideia primordial. E embora o Skyharbor tenha chegado bem próximo disso com Guiding Lights, permanece a questão: ainda há esperança para o djent?


Stolas – Allomaternal

Imagine que o Protest The Hero não tenha sido criado no Canadá, mas sim em uma daquelas pequenas cidadezinhas costeiras que viveram seu ápice de prosperidade nos tempos pós-guerra, mas que eventualmente entraram em decadência quando as gerações seguintes se mudaram para os grandes centros. Resta o clima meio soturno, construções abandonadas, um silêncio quebrado apenas eventualmente e um parque no cais há muito desativado. É desse clima que sai toda a euforia do Stolas.


The Flight of Sleipnir – V.

Um gorgolejar pantanesco que brota das profundezas e ecoa por toda uma região considerada amaldiçoada, onde a mata tomou conta e restam apenas algumas ruínas. Este é o cenário por trás do paradoxo criado entre o arrastado doom rock abafado e o folk obscuro trazido por este duo americano. Muito mais contemplativo, David Csicsely e Clayton Cushman parecem cada vez mais no controle do cavalo de oito patas, domando-o e encontrando um caminho homogêneo impressionante, evitando as oscilações turbulentas das tentativas anteriores.


Uganga – Opressor

Uma besta que se ergue das fundações do hardcore e do thrash metal, o Uganga se tornou uma instituição muito além do rótulo de banda do ex-baterista do Sarcófago, desenvolvendo uma sonoridade que vai além da obviedade. Abordando sempre um panorama brutal da realidade brasileira, o conteúdo se reflete no instrumental direto e seco, o tipo de pancada necessária para abrir alguns olhos.

Pronto, 2014. Agora sim.


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