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segunda-feira, 19 de julho de 2021

Resenha: Hit Parade, de Marcelo Caetano


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A história da música brasileira foi pouco documentada ao longo dos anos. Seja com livros ou trabalhos no audiovisual, ainda falta muito para alcançarmos o nível dos Estados Unidos ou Inglaterra, países com um vasto material sobre a própria história em diversos formatos. Quem sempre tenta jogar luz sobre nossa própria história é o jornalista e escritor André Barcinski.

Há alguns anos, ele lançou o livro "Pavões Misteriosos: 1974-1983: a Explosão da Música pop no Brasil" e parte do material virou a série "História Secreta do Pop Brasileiro". São ótimos materiais que falam das ideias geniais até os trambiques mais malucos. Tudo contado com muita informação e bom humor.

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Trilha sonora: Hit Parade (Canal Brasil)

Parte dos materiais serviu de base para "Hit Parade", exibida pelo Canal Brasil em oito episódios e disponibilizada no Globoplay no pacote Canais Ao Vivo. Escrita por Barcinski e Ricardo Grynszpan, a série dirigida por Marcelo Caetano retrata muito bem os trambiques, manejos e invenções da música brasileira nos anos 1980. É uma das ótimas obras do audiovisual brasileiro de 2021.

Com um texto acima da média, o trabalho ganha muito com as ótimas atuações, cenários e design da época. Será difícil esquecer o rosa e azul na tela do encerramento, por exemplo. Ou os trambiques do produtor e dono de gravadora Missiê Jack (Robert Frank), ou como era fácil amar e odiar Simão (Tulio Starling) no mesmo episódio, ou ainda ver como Lídia (Bárbara Colen) cresceu e virou a personagem que melhor aproveitou o próprio destino no mundo da música. E ainda tem Lobinho (Odilon Esteves), provavelmente o personagem mais inesquecível dentre esses todos.

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Muitos dos trambiques da série aconteceram de verdade, relatados no livro e na série do Barcinski e em outros (recomendo muito "Do Vinil ao Download", de André Midani). Mas ver isso acontecendo na tela dá aquele ar de "não é possível que aconteceu de verdade". De uma gravadora pagar para o artista dela NÃO TOCAR na rádio (está em maiúscula para vocês não se perderem na leitura) até golpe em gravadora, passando por roubo de música ou gravar álbuns inteiros só de covers, tudo foi baseado em fatos inacreditavelmente reais.

São oito episódios de alto nível em que o texto dá elementos suficientes em cada episódio para o espectador seguir sem ganchos fáceis ou tratar quem está vendo como um incapaz de entender diálogos ou a respectiva cena. Tudo isso é ajudado pela direção, atuações e edição, companheiros fundamentais para transformar o roteiro em algo bom de assistir.

"Hit Parade" mescla comédia e drama em um material que fala muito sobre como os brasileiros têm essa mistura de criatividade com instinto de sobrevivência -- e algumas pessoas têm uma pitada de sacanagem com outros -- para mostrar como a música brasileira era rica e conseguia se reinventar quando quem entendia de música estava no comando.

Avaliação: ótimo

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