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segunda-feira, 29 de março de 2021

Resenha: John Lennon, Yoko Ono e Eu, de Jonathan Cott (2013)


John Lennon foi um dos personagens mais fascinantes da música no século XX. Oriundo da classe trabalhadora de Liverpool, abandonado pelo pai, criado pela tia e com uma relação difícil com a mãe, morta em um acidente de carro quando ele tinha apenas 17 anos, o músico passou por diversos problemas, traumas e vícios, tudo isso enquanto ganhava rios de dinheiro com os Beatles e escrevia algumas das composições mais famosas do mundo até hoje.

Para explorar esse fascinante personagem, em meados dos anos 1960, quando a então recém-criada revista 'Rolling Stone' começava a virar um dos principais veículos sobre música e política para os jovens da época, Jonathan Cott, então um jovem jornalista freelancer, foi escalado para entrevistar John Lennon e Yoko Ono. Era a primeira entrevista do jovem casal, que só havia revelado a relação entre eles quatro meses antes. Eles não sabiam, mas nascia ali uma grande amizade que fecharia o final dos anos 1960 e atravessaria a década seguinte até 1980, ano do assassinato de Lennon.

O livro é "só" um grande compilado de horas de entrevistas em momentos diferentes da vida do casal Lennon-Ono. Entre 1968 e 1980, muita coisa mudou na vida de ambos, mas a amizade do trio tornou-se algo muito sólido a ponto de Cott virar uma pessoa confiável para o casal ficar a vontade com qualquer pergunta mais cabeluda sobre qualquer assunto. Além de quatro entrevistas, o livro também traz a íntegra do perfil de Yoko Ono feito para a 'Rolling Stone' em 1971.

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Cott demonstra bastante habilidade para lidar com os dois, sabendo que eles não dariam entrevistas separadas por muito tempo. As longas entrevistas conseguem abrir um pouco a intimidade deles, coisa que muita gente perseguia ao longo dos anos. Eles falam sobre projetos artísticos e musicais, o passado, o presente, o futuro; falam sobre arte, decoração, culinária, viagens, os famosos Bed-Ins -- as campanhas pela paz em que John e Yoko ficavam em quartos de hotéis --, a perseguição da imprensa na Inglaterra, a perseguição do governo Nixon para impedir a residência permanente de Lennon por conta dos protestos contra a Guerra do Vietnã e o retorno dele à música em 1980 após cinco anos de férias para tomar conta do filho Sean.

São longas histórias em que Cott usa muito bem o profundo conhecimento sobre a discografia  dos Beatles, da carreira solo de John Lennon e da carreira musical e artística de Yoko Ono, filosofia e outros assuntos para conduzir as entrevistas. Lennon revela detalhes sobre diversos assuntos e vida pessoal, e é justamente o que o torna um personagem tão fascinante. Ele fala sobre tudo, reconhece que não é um pobre coitado, mas também fala sobre as próprias fraquezas, o uso de drogas e como Yoko teve um papel fundamental em ajudar a melhorar. Ele nos Beatles era como ter uma rede para pescar: ele podia pegar o que quisesse em abundância, mas ela mostrou a ele que, às vezes, é melhor ter uma vara e conseguir uma coisa específica que o satisfaça por inteiro.

Já Yoko fala sobre xenofobia, o fato de muitas pessoas a culparem pelo fim dos Beatles, a perda da filha que teve no primeiro casamento e o remorso que isso trouxe a ela por vários e vários anos -- elas só se reencontrariam em 1998, 35 anos depois da separação. E o final ainda reserva uma entrevista com ela em 2012 para celebrar os 44 anos de amizade entre Cott e ela.

É um livro bem curto e bem fácil de ler. É muito bom para quem precisa pesquisar algum assunto sobre John Lennon e Yoko Ono pela facilidade dos tópicos e pelas respostas muito boas. Para quem é fã, é uma ótima oportunidade de ler em português um retrato muito íntimo de dois dos símbolos mais importantes da cultura pop dos últimos 100 anos.

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