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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Resenha: Mark Lanegan – Imitations


Mark Lanegan foi um dos grandes expoentes da cena alternativa ao fundar o Screaming Trees em meados dos anos 1980. E enquanto o pessoal da cena, como Pearl Jam, Nirvana e Soundgarden, colhia os frutos do sucesso, ele já administrava a carreira solo paralelamente à banda que o colocou na mira das grandes gravadoras.

Quase 30 anos depois da fundação do grupo, Lanegan vem tendo sucesso em seus projetos solos (Blues Funeral foi eleito um dos grandes álbuns de 2012 no blog) e ele também é apontado como grande sucessor do estilo consagrado por Lou Reed, Leonard Cohen e Nick Cave – músicas mais faladas do que cantadas e um estilo bem poético das letras sombrias.

E após o excelente sétimo trabalho de estúdio, o vocalista fez como alguns dos grandes nomes da música, como Paul McCartney no último ano e Eric Clapton recentemente, e lançou um álbum apenas com versões chamado Imitations. O disco começa com a ótima e delicada “Flatlands”, de Chelsea Wolfe, com cada complemento entrelaçando de maneira em que tudo se encaixa perfeitamente. Uma abertura muito boa.

Regravada por vários artistas ao longo de 40 anos, “She’s Gone”, do cantor de country e gospel Vern Gosdin, ganhou toques de simplicidade e virou quase um standard dos anos 1940. Assim como a primeira canção, “Deepest Shade” não é muito antiga, por isso não é uma versão que convence. Aqui, tranquilamente, ele poderia ter colocado um standard que ficaria bem melhor.

Tema do filme 007 - Só Se Vive Duas Vezes, "You Only Live Twice" foi cantada brilhantemente por Nancy Sinatra em 1967. Na versão de Imitations, a faixa ganhou um ar ainda mais pesado e depressivo na voz rouca de Lanegan. Outro acerto no disco. Eternizada por Frank Sinatra, “Pretty Colors” ganhou rouquidão e até que não ficou ruim – sempre lembrando que nenhuma música cantada por Sinatra fica boa na voz de outra pessoa.

De Nick Cave, “Brompton Oratory” também ganhou uma versão quase standard, com acréscimo de instrumentos de sopro e uma bateria bem marcada. E uma pena que linda e dramática “Solitaire” não tenha ganhado uma versão à altura. Tudo bem que Mark Lanegan tem uma voz diferente do usual para esse tipo de canção, mas o grande problema é que ele não consegue transmitir todo drama da letra e quase tudo fica triste e sombrio, às vezes beirando o seco. Foi um erro essa faixa entrar no disco.

“Mack the Knife” é um standard classico nos Estados Unidos, ficando conhecido na voz de Bobby Darin. Diferente das outras, ela ganhou uma boa releitura, ficando menos animada do que no original, mas mais delicada. Melhor canção de todo trabalho, "I'm Not the Loving Kind" é a mais épica e a que mais se aproxima do original, e aqui acontece o segundo acerto em tudo em uma bela música.

De 1959, “Lonely Street” foi gravada por Andy Williams e fez muito sucesso naquele ano, chegando ao top-5 das paradas. Lanegan não conseguiu colocar todo seu potencial para fora, e isso prejudicou a regravação. Agora, erro mesmo foi colocar “Élégie Fúnebre”, cantada em francês, na lista das canções do álbum. Ficou muito ruim. Para finalizar, Mark Lanegan colocou a dramática “Autumn Leaves”, regravada por algumas dezenas de cantores e cantoras. A versão do ex-vocalista do Screaming Trees ficou boa, dando ao disco um final bom.

Imitations nasceu do desejo de Lanegan em homenagear o passado e mostrar suas influências ao mundo, mas a ideia de misturar algumas músicas recentes com clássicos americanos do standard não deu muito certo em alguns momentos, gerando um trabalho muito irregular. Quando tentou ser apenas ele mesmo, algumas faixas ficaram excelentes. O grande problema está na escolha do variado repertório. Certas canções, definitivamente, não combinaram com o estilo do cantor. Algumas são excelentes, mas outras podem ser esquecidas.

Tracklist:

1 - "Flatlands”
2 - "She’s Gone”
3 - “Deepest Shade”
4 - “You Only Live Twice”
5 - “Pretty Colors”
6 - “Brompton Oratory”
7 - “Solitaire”
8 - “Mack The Knife”
9 - “I’m Not The Loving Kind”
10 - “Lonely Street”
11 - “Elégie Funèbre”
12 - “Autumn Leaves

Nota: 3/5



Clique no nome de cada canção e escute a versão original.

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