quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Resenha: Lorde – Pure Heroine


O ano nem acabou, mas a jovem Lorde já foi eleita a grande revelação do ano. Assim como muitas das estrelas e astros que surgem na internet, sua carreira, usando um enorme clichê, é meteórica. Aos 17 anos, ela é a mais nova a entrar no ranking semanal da Billboard e também a mais jovem a chegar ao primeiro lugar, superando o novo álbum da maluca Miley Cyrus.

A neozelandesa também já fez o trajeto de todo artista que deseja divulgar seu disco, Pure Heroine, e foi em alguns dos talk shows mais conhecidos da TV americana e vem sendo capa de alguns dos mais importantes semanários lá fora nos últimos meses. Mas, diferente de qualquer jovem artista celebrado recentemente, Lorde parece muito segura de si quando o assunto é a carreira.

Primeira canção do disco, “Tennis Court” mostra que a moda de usar elementos eletrônicos está invadindo o pop, principalmente nessa nova geração – a cena inglesa é a que melhor mostra isso. Também vemos uma voz madura para alguém da sua idade, além de um bom trabalho para casar todos os elementos. Em “400 Lux”, pela primeira vez, a cantora se destaca do resto, colocando à frente sua voz potente.

Música que colocou Lorde nas paradas, “Royals” é muito boa, realmente. Ela mistura blues com pop em uma faixa deliciosa. Uma das boas do ano, certamente. Em “Ribs” há um exagero na ‘tunada’ da voz e nos elementos que preenchem a canção. Uma pena, porque a letra melancolia e cheia de referências merecia ser melhor tratada. Agora, uma boa mesmo é “Buzzcut Season”. Incrível que uma menina de 17 anos, em parceria com o produtor Joel Little, consiga escrever algo tão bom e tocante.

“Team” também peca pelo exagero em algumas partes. O excesso é um dos grandes defeitos dessa geração. Parece que eles não sabem a hora de parar, e isso piora quando nenhum produtor coloca freio nisso. Enquanto “Glory And Gore” fica no meio do caminho, não é boa nem ruim, “Still Sane” é etérea, soturna e retrata bem o que é a vida de uma pessoa comum. Muito boa. Nas duas últimas temos uma clara distinção do trabalho: “White Teeth Teens” repete a fórmula que dominou todo álbum, bem diferente de “A World Alone”, que mistura mais e traz mais elementos do pop do que a anterior. Aliás, é um belo encerramento a última canção.

Primeira coisa a falar sobre Lorde: ela não é uma adolescente babaca e escrota como a maioria. Filha de um engenheiro e uma poeta, Lorde pensa e age como muita maturidade, e isso reflete em Pure Heroine. O trabalho dela, em comparação com Lana Del Rey, por exemplo, é muito mais coeso é interessante – mesmo com alguns defeitos a se destacar. No geral, é um álbum muito bom, mas é aquela coisa: ela ainda pode melhorar, como qualquer artista iniciante. E se continuar nesse caminho, seguro, coeso e sem dar trela, ela pode conquistar o mundo.

Tracklist:

1 - "Tennis Court"
2 - "400 Lux"
3 - "Royals"
4 - "Ribs"
5 - "Buzzcut Season"
6 - "Team"
7 - "Glory And Gore"
8 - "Still Sane"
9 - "White Teeth Teens"
10 - "A World Alone"